Branco e vermelho: poesia dos trovadores provençais (I)

0 comentários 🕔13:00, 26.Mar 2014

GUILHEM DE POITIERS (1071-1127): Ab la dolçor del temps novel (tradução de Graça Videira Lopes)

Ab la dolçor del temps novel

folhon li bosc, e li auzel

chanton chascus en lor lati,

segon lo vers del novel chan:

adonc está ben qu’hom s’aizi

d’aquó dont hom a plus talan.

 

De lai don plus m’es bon e bel

non vei messagér ni sagel,

per que mos cors non dorm ni ri

ni no m’aus traire adenan,

tro qu’eu sacha ben de la fi,

s’el’es aissi com eu deman.

 

La nostr’amor va enaissi

com la brancha de l’albespi

qu’está sobre l’arbre en tremblan,

la nuóit, ab la ploia ez al gel,

tró l’endeman, que.l sols s’espan

per la fuelha vert e.l ramel.

 

Enquer me membra d’un mati

que nos fezém de guerra fi

e que.m donét un don tan gran:

sa drudaria e son anel;

enquer me lais Diéus vivre tan

qu’aia mas mans sotz son mantel!

 

Qu’eu non ai soinh d’estranh lati

que.m parta de mon Bon Vezi;

qu’eu sai de paraulas com van,

ab un bréu sermon que s’espel…

Que tals se van d’amor gaban,

nos n’avêm la peç’e.l coutel.

Com a doçura do tempo novo

florescem os bosques e as aves cantam

cada uma delas no seu latim

segundo os versos do novo canto;

é bom então que desfrute assim

cada um aquilo que mais anseia.

 

Dali, da melhor e mais bela morada,

não vem mensageiro nem carta selada,

e já meu corpo não dorme nem ri

e nem mesmo ouso seguir adiante,

até que eu saiba bem desse fim,

se será enfim o que eu reclamo.

 

Com o nosso amor acontece assim

como com o ramo do branco espinho

que está sobre a árvore tremendo

de noite, à chuva e ao gelo,

até ao novo dia, quando o sol se expande

pelas folhas verdes e pelos ramos.

 

Lembro-me ainda de uma manhã

em que pusemos à guerra fim

e em que me deu um dom tão grande:

o seu corpo amado e o seu anel;

que me deixe Deus viver o bastante

para ter minhas mãos sob o seu mantel!

 

Pois caso não faço de estranho latim

que me afaste do meu Bom Vizinho:

pois sei das palavras como vão

num breve discurso que se espalha…

Que alguns se vão de amor gabando

mas nós temos a carne e o cutelo.

Sem comentários

Ainda não há comentários

Ninguém deixou um comentário para este post ainda!

ESCREVA UM COMENTÁRIO SOBRE ESTE POST

Escrever um comentário 

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *