Branco e vermelho: poesia dos trovadores provençais (IX) ~ Giraut De Bornelh

0 comentários 🕔13:00, 21.Mai 2014

GIRAUT DE BORNELH (…1162-1199…): Reis gloriôs, verais lums e clartaz (tradução de Graça Videira Lopes)

Reis gloriôs, verais lums e clartatz,
Déus poderôs, Sènher, si a vos platz,
al meu companh siatz fizels aiuda!
Qu’éu no lo vi, pós la nochs fo venguda,
e adés será l’alba.
 
Bel companhô, si dormetz ó velhatz,
no dormatz plus, suau vos ressidatz!
Qu’en Orien vei l’estela creguda
qu’amena.l jorn, qu’éu l’ai be conoguda,
e adés será l’alba.
 
Bel companhô, en chantan vos apel:
no dormatz plus, qu’éu auch chantar l’auzel
que vai queren lo jorn per lo boschatge
et ai paor que.l gilôs vos assatge,
e adés será l’alba.
 
Bel companhô, issetz al fenestrel
e regardatz las estelas del cel!
Conoiceretz si.us sui fizels messatge;
si non o faitz, vostres n’er lo damnatge,
e adés será l’alba.
 
Bel companhô, pós me parti de vos,
éu no.m dormi ni.m moc de genolhôs,
ans preiei Déu, lo filh Santa Maria,
que.us me rendês per leial companhia,
e adés será l’alba.
 
Bel companhô, la foras als peirôs
me preiavatz qu’éu no fos dormilhôs,
enans velhés tota noch tró al dia;
era no.us platz mos chans ni ma paria,
e adés será l’alba.
 
– Bel douç companh, tan sui en ric sojorn,
qu’éu no volgra mais fos l’alba ni jorn,
car la gençor que anc nasquês de maire
tenc et abratz, per qu’éu non prézi gaire
lo fol gilôs ni l’alba.
– Rei glorioso, vera luz e claridade,
Deus poderoso, Senhor, se vos praz,
ao meu companheiro dá fiel ajuda!
Não mais o vi, desde que a noite veio,
e em breve será a alba!
 
Bom companheiro, se dormis ou velais,
não durmais mais, devagar despertai!
Pois no Oriente vejo a estrela que nasce
e traz o dia, que bem a conheci
e em breve será a alba!
 
Bom companheiro, cantando eu vos chamo:
não durmais mais, que ouço cantar a ave
que vai buscando o dia pela folhagem,
e temo que o ciumento vos surpreenda
e em breve será a alba!
 
Bom companheiro, chegai-vos à janela
e observai as estrelas do céu!
Percebereis que sou fiel mensageiro;
se não o fizerdes, vosso será o dano
e em breve será a alba!
 
Bom companheiro, desde que vos deixei,
não mais dormi e pus-me de joelhos
rogando a Deus, filho de Santa Maria,
que me devolvesse vossa leal companhia.
e em breve será a alba!
 
Bom companheiro, ali fora na escada
me rogáveis que eu não fosse dorminhoco
mas que velasse toda a noite até ao dia;
e ora não vos praz meu canto nem companhia
e em breve será a alba!
 
– Doce e bom companheiro, em tão bom lugar estou
que quereria que nunca fosse alva ou dia,
pois a mais graciosa que de mãe nasceu
tenho e abraço, e assim pouco me importa
o tolo ciumento, nem a alba.

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