Branco e vermelho: poesia dos trovadores provençais (XII) ~ Condessa de Dia

0 comentários 🕔13:00, 11.Jun 2014

CONDESSA DE DIA (finais do século XII): Estat ai en gréu cossiriér (tradução de Graça Videira Lopes)

Estat ai en gréu cossiriér
per un cavaliér qu’ai agut,
e vuolh sia totz temps saubut
cum iéu l’ai amat a sobriér;
ara vei qu’iéu sui traída
car iéu non li donei m’amor;
don ai estat en gran error
en liéich e quand sui vestida.
 
Ben volria mon cavaliér
tener un ser en mos bratz nut,
qu’el s’en tengra per ereubut
sol qu’a lui fezês cosselhiér;
car plus m’en sui abelida
non fetz Floris de Blanchaflor:
iéu l’autrei mon cór e m’amor
mon sen, mos uolhs e ma vida.
 
Bels amics, avinens e bos,
quora.us tenrai en mon poder?
E que jaguês ab vos un ser
e que.us dés un bais amorôs?
Sapchatz, gran talan n’auria
que.us tenguês en luoc del marit,
ab çó que m’aguessetz plevit
de far tot çó qu’iéu volria.
Tenho estado em grande coita
por um cavaleiro que tive,
e quero que para sempre seja sabido
como eu o amei demais;
vejo ora que sou traída
porque não lhe dei meu amor;
do que tenho estado em gram torpor
no leito e quando vestida.
 
Bem gostaria de o meu cavaleiro
ter uma noite em meus braços nu,
e que ele se tivesse por ditoso
só de lhe fazer de almofada;
pois estou mais enamorada
do que Flores de Brancaflor:
entrego-lhe meu coração e o meu amor,
meu juízo, meus olhos e minha vida.
 
Belo amigo, amável e bom,
quando vos terei em meu poder?
Que me deitasse convosco uma noite
e que vos desse um beijo de amor!
Sabei, grande vontade teria
de vos ter no lugar do marido,
com tal que me houvésseis prometido
fazer tudo quanto eu quereria.

Sem comentários

Ainda não há comentários

Ninguém deixou um comentário para este post ainda!

ESCREVA UM COMENTÁRIO SOBRE ESTE POST

Escrever um comentário 

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *