<em>O cervo do monte</em>, por Iolanda Aldrei e Xavier Ponte Casas

O cervo do monte, por Iolanda Aldrei e Xavier Ponte Casas

0 comentários 🕔10:30, 16.Jul 2014

Simbologia e tradição atlântica nas cantigas de amigo galego-portuguesas II1

Iolanda R. Aldrei e Xavier Ponte Casas (GALIZA)2

No primeiro dos artigos desta série, publicado num anterior número da Palavra Comum, tratávamos o tema dos valores simbólicos das cantigas de amigo galego-portuguesas em relação com uma tradição indo-europeia, celta, na que o feminino procura a união com o masculino para harmonizar-se com o equilíbrio universal. Como indicava Jean Markale3, a espiritualidade celta parte de um monismo organizado em tríades, sempre a rejeitar o dualismo, a integrar o facto individual no coletivo e o coletivo no individual, desde um pensamento heterológico. A terna feminina presente nas cantigas de amigo medievais (mãe, amiga, natureza) é a unidade geradora à que o princípio masculino se une e da que faz parte, para ser experiência da mãe, relação da amiga e elemento da natureza. O masculino e o feminino conformam um único plano dialético em que as identidades e as vivências particulares dos namorados são possíveis de jeito simultâneo à sua união.

As nove cantigas4 conservadas de Pero Meogo5 apresentam de modo singular esta conceção, vivenciada no macro-texto que o Professor Leodegário de Azevedo Filho destaca como “uma forma lírica que se investe de sentido narrativo”6. Coincidimos com o Professor Azevedo na apresentação destes poemas como conjunto e dissentimos da leitura isolada de cada cantiga que propõe Méndez Ferrín7. Estamos ante uma unidade diegética conformada por vários poemas com umas características gerais que os integram nas cantigas de amigo, como são os recursos formais, as personagens, ou a ambientação, e outras particulares que os tornam únicos: a sua linha narrativa ou a reiteração da palavra cervo (cervos) para referir o princípio masculino.

A nossa dissensão interpretativa a respeito dos investigadores que têm estudado as cantigas de Pero Meogo parte da crítica à leitura simbólica equacional aplicada desde uma filosofia dualista judeo-cristã e mediterrânea, que não contempla a idiossincrasia do mundo no que se desenvolvem os textos. Os valiosíssimos trabalhos desenvolvidos pelos editores e críticos destas cantigas não afondam, de jeito geral, nas questões etnográficas, antropológicas, filosóficas e espirituais do cenário em que estas nascem e se apresentam. Numa interessante proposta, a Professora Mª do Rosário Ferreira8, questiona “não seria tempo de repensar o rumo dos estudos, e, em vez de continuar a encarar a cantiga de amigo –ou alguns dos seus exemplares considerados mais representativos como uma sobrevivência de um passado difuso, trabalhá-la enquanto construção do seu presente de produção, plenamente significativa quando reinserida no imaginário e no sistema de representações próprios do mundo trovadoresco peninsular?”. No caso particular de uma proposta tão enriquecedora como a de Pero Meogo desbordante de riqueza simbólica, pensamos que se torna necessária uma interpretação que ultrapasse a perspectiva desse passado difuso para inserir a obra nas coordenadas que lhe são próprias. Os valores antropológicos presentes nesta série de cantigas, continuam vivos na maneira galaica de entender o mundo e podemos rastrear o seu valor mesmo em representações paleolíticas, de jeito que achamos acertado procurar uma interpretação à luz do sistema arquetípico do que nascem estas obras.

Podemos estruturar a série de cantigas de Pero Meogo a partir das vozes condutoras da diegese externa e emissoras do sentir interno. Deste jeito, contemplamos como se apresentam três perspetivas: a da namorada, a da mãe e a de uma voz narrativa extra diegética omnisciente, assim como uma alternância de monólogo e diálogo:

Cantiga

I

II

III

IV

V

VI

VII

VIII

IX

Voz hegemónica

Namorada

Namorada

Namorada

Namorada

Externa omnisciente

Namorada

Namorada

Mãe

Mãe

Interlocutoes/a/s

Madre”

Madre”

 

 

Madre”

/Filha

Cervos/ Velidas

Extra diegético

Meu amigo”

 

Madre”

 

Filha

Filha/“Madre”

Referente/s

Amigo

Amigo

Amigo/ Cervo ferido

Amigo

Velida/ Amigo/ Cervo do monte/

Cervas/ Cervos bravos/ Cabelos

Amigo

Brial”/Namorado/ Cervo

Cervos do monte/Amigo/Cervos

Cenário evocado

Fonte u os cervos van bever”

A la font’u os cervos van bever”

Monte onde o cervo é ferido?/Mar

Monte/ Ubicação desconhecida do amado

Auga/Na fontana fria

Na erva

Fonte u van os cervos do monte”

Eno bailar”

“Esta fonte”

Na fontana fria

Tipologia textual

Monólogo com receptora referida

Monólogo com receptora referida

Diálogo Filha-Mãe

Monólogo com receptora referida

Narração

Monólogo com receptora referida

Monólogo com receptora referida

Monólogo com receptora referida

Diálogo Mãe-Filha

O quadro anterior situa a série como uma história que se inicia entre as cantigas I e IV, com o prelúdio de uma iniciação sexual vivida pela namorada entre a preocupação pelos sentimentos que alberga por ela o amado, a segurança do namoro dele e a procura do conselho da mãe. Chega assim, até a cantiga V, com o clímax de um encontro amoroso relatado desde a perspetiva externa, prolongada na plenitude da cantiga VI, enquanto procura sistematização na VII. As cantigas VIII e IX supõem a resposta da mãe à transgressão moral e mostram a sua preocupação ante um abandono por parte do amigo. Esta dinâmica atemporal do namoro adolescente apresenta, porém, elementos que ultrapassam a narração particular para inserir-se numas coordenadas culturais colectivas que se supõem inteligíveis pelos receptores. O cervo singular, os cervos e a as cervas, o mar, a fonte e a rapariga que lava e penteia os seus cabelos perto da água, são chaves muito importantes na mitologia e na compreensão do mundo desde a perspetiva celta e galaica.

No anterior artigo tratávamos já o tema do mar, Lir, citado noutras cantigas e que Pero Meogo apresenta como espaço de morte. Não achamos sentido à interpretação de um amigo chamado pelo rei que vários críticos oferecem, e contemplamos a expressão “ir a morrer al mar” inserida na tradição celta que apresenta o mar como um espaço de morte e vida no além. Do mesmo jeito a rapariga que penteia os seus cabelos nas fontes está relacionada com as “mouras”, “donas”, “lavadeiras” e com a mesma Morrigana, de grande conotação sexual, geradora de vida e morte. O imaginário vivo ainda e contraposto à moral cristã e as formas romanizadas impostas é reivindicado pelos amantes como único cenário possível para que o dom da fertilidade exista. O amor ultrapassa a aculturação imposta e procura a raiz primigénia.

O cervo é uma representação da força geradora, que parte da raiz proto-indoeuropeia *ker9, com variantes *kor- e *kr, têm o significado de corno, também alto, em qualquer caso, parte de “fazer”, “gerar”, os cornos do veado são elementos geradores relacionados com uma mística primitiva, na que as forças masculinas e femininas se unem. No caldeiro de Gundestrup, na Ara dos Navegantes de Paris, em muitas outras representações aparece uma figura antropomórfica ornada com cornos cérvidos que os romanos têm identificado com o deus celta Cernunnos e identificado com o seu Silvanos, uma deidade protetora da natureza. Este deus não é citado directamente por fontes celtas, enquanto outras representações da mística céltica encarnam diferentes deidades como Lug com cornos e elementos vegetais. Esta tradição estende-se desde as representações paleolíticas até as recentes tradições recolhidas pelos etnólogos em que se descreve o “trasno”, figura com cornos, que se pode transfigurar para dançar a noite inteira com uma rapariga10, passando pela Idade Meia na que achamos constantes figurações do chamado “Green Man” muito presentes na arquitectura galega11, assim como abundantes críticas e proibições religiosas a festas de conotação sexual em que os participantes masculinos se disfarçavam de cervos. A figura do veado é uma constante representação da mesma sexualidade geradora que parte da terra, do submundo dos “mouros”12. A aparição dos cérvidos propícia aqui o encontro sexual e não parece apresentar-se numa identificação equativa que substitua ao amigo, mas como elemento propiciador dessa sexualidade geradora, ou transformação do amado no próprio ato criador.

Mais uma vez, a leitura atenta das cantigas de amigo situa a nossa cultura numa tradição colectiva celta, numa chave simbólica da mística atlântica subjacente.

BIBLIOGRAFÍA MÍNIMA

- ÁLVAREZ PEÑA, A., Mitologia Gallega, Ed. Picu Urriellu, Xixon, 2004.

- BRASSEUR, Marcel, Los Celtas, Ed. Toxosoutos, Serie Keltia,, 2ª Ed., Noia, 2000.

- CARIDAD ARIAS, Joaquín, Cultos y divinidades de la Galicia Prerromana a través de la toponimia, Fundación Pedro Barrié de la Maza, A Corunha, 1999.

- DE AZEVEDO FILHO, Leodegário A., As cantigas de Pero Meogo, Ed. Laiovento, 3ª Ed., Santiago de Compostela, 1995.

- ERIAS MARTÍNEZ, A. “El hombre que vomita ramas (green man u hombre verde, Santiago el Verde…), y algunas figuras de resucitados de la Galicia Medieval: reflexiones a partir de algunos casos”, Anuário Brigantino, nº 32, 2009.

- FERREIRA, Mª do Rosario, Motivos naturalistas e configurações simbólicas nas cantigas de amigo, in GUARECER on-line, 2007. Artigo apresentado ao Colóquio Internacional Frauenlieder/Cantigas de Amigo, realizado na Apúlia em Março de 1999 e publicado nas respetivas atas, “Naturmotivik und Symbolik in cantigas de amigo” in Frauenlieder/Cantigas de Amigo Internationalen Kolloquien des Centro de Estudos Humanísticos (Universidade do Minho), der Faculdade de Letras (Universidade do Porto) und des Fachbereichs Germanistik (freie Universitat Berlin), Stuttgart, S. Hirzel Verlag, 2000, pp. 237/245.

- MARKALE, Jean, As Três Espirais – Meditação sobre a Espiritualidade Céltica, Ed. Pergaminho, 2000.

- MATASOVIC, R., Etymological Dictionary of Proto-Celtic, Brill, 2009.

- MENDEZ FERRIN, X. L., O Cancioneiro de Pero Meogo, Galaxia, Vigo, 1966.

- PENA GRANHA, André, Treba y territorium: Génesis y desarrollo del mobiliário e inmobiliario arqueológico e institucional de la Gallaecia, Servizo de Publicacións e Intercambio Científico da USC, Teses de Doutoramento, 2004.

- SALINAS DE FRÍAS, M., Sobre algunas especies animales en el contexto de las religiones prerromanas de Hispania; Sarta Paleohispanica J. de Hoz, Paleohispanica, 10, 2010.

APÊNDICE: CORPUS DE CANTIGAS DE PERO MEOGO

I [B 1184 / V 789]

O meu amig’, a que preyto talhey,
con vosso medo, madre, mentir-lh’-ey:
e, se non for, assanhar-s’-á.

Talhey-lh’eu preyto de o ir veer
ena fonte u os cervos van bever:
e, se non for, assanhar-s’-á.

E non hey eu de lhi mentir sabor,
mays mentir-lh’-ey con vosso pavor:
e, se non for, assanhar-s’-á.

De lhi mentir nenhun sabor non ey,
con vosso med’a mentir-lh’averey:
e, se non for, assanhar-s’-a.

II [B 1185 / V 790]

Por muy fremosa que sanhuda estou
a meu amigo, que me demandou
que o foss’eu veer
a la font’, u os cervos van bever.

Non fac’eu torto de mi lh’assanhar,
por s’atrever el de me demandar
que o foss’eu veer
a la font’, u os cervos van bever.

Afeito me ten ja por sandía,
que el hoje non ven, mas envia
que o foss’eu veer
a la font’, u os cervos van bever.

III [B 1186 / V 791]

-Tal vay o meu amigo, con amor que lh’eu dey,
come cervo ferido de monteyro del-Rey.

Tal vay o meu amigo, madre, con meu amor,
come cervo ferido de monteyro mayor.

E, se el vay ferido, irá morrer al mar;
si fará meu amigo, se eu del non pensar.

…………………………………………..

…………………………………………….

-E guardade-vos, filha, ca ja m’eu atal vi
que se fez coitado, por guaanhar de min.

E guardade-vos filha, ca ja m’eu vi atal
que se fez coitado, por de min guaanhar.

IV [B 1187 / V 792]

Ai, cervos do monte, vin-vos preguntar,
foy-s’o meu amigu’, e, se alá tardar,
que farey, velidas!

Ai, cervos do monte, vin-vo-lo dizer,
foy-s’o meu amigu’e querria saber
que faria, velidas!

V [B 1188 / V 793]

[Levou-s’a loçana,] levou-s’a velida,
vay lavar cabelos, na fontana fria.
Leda dos amores, dos amores leda.

[Levou-s’a velida,] levou-s’a louçana,
vay lavar cabelos, na fría fontana,
Leda dos amores, dos amores leda.

Vay lavar cabelos, na fontana fria:
passou seu amigo, que lhi ben queria,
Leda dos amores, dos amores leda.

Vay lavar cabelos, na fría fontana:
passa seu amigo, que a muyt’amava.
Leda dos amores, dos amores leda.

Passa seu amigo, que lhi ben queria:
o cervo do monte a áugua volvia.
Leda dos amores, dos amores leda.

Passa seu amigo, que a muy’amava,
o cervo do monte volvía a áugua.
Leda dos amores, dos amores leda.

VI [B 1189/V 794]

Enas verdes ervas,
vi anda’las cervas,
meu amigo.

Enos verdes prados,
vi os cervos bravos,
meu amigo.

E con sabor delas
lavei myas garcetas,
meu amigo.

E con sabor d’elos
lavey meus cabelos,
meu amigo.

Des que los lavey,
d’ouro los liey,
meu amigo.

Des que las lavara,
d’ouro las liara,
meu amigo.

D’ouro los liey
e vos asperey,
meu amigo.

D’ouro las liara
e vos asperara,
meu amigo.

VII [B 1190 / V 795]

Preguntar-vos quer’eu, madre,
que mi digades verdade,
se ousará meu amigo
ante vós falar comigo.

Pois eu migu’ey seu mandado,
querría saber, de grado,
se ousará meu amigo
ante vós falar comigo.

Irey, mya madre, a la fonte,
u van os cervos do monte,
se ousará meu amigo
ante vós falar comigo.

VIII [B 1191/V 796]

Fostes, filha, eno baylar
e rompestes i o brial:
poys o namorado i ven,
esta fonte seguide-a ben,
poys o namorado i ven.

Fostes, filha, eno loír
e rompestes i o vestir:
poy’lo cervo i ven,
esta fonte seguide-a ben,
poy’lo cervo i ven.

E rompestes i o brial,
que fezestes ao meu pesar:
poy’-lo cervo i ven,
esta fonte seguide-a ben,
poy’-lo cervo i ven.

E rompestes i o vestir,
que fezestes a pesar de min:
poy’-lo cervo i ven,
esta fonte seguide-a ben,
poy’lo cervo i ven.

IX [B 1192 / V 797]

-Digades, filha, mya filha velida:
porque tardastes na fontana fria.
Os amores ey.

Digades, filha, mya filha louçana:
porque tardastes na fría fontana.
Os amores ey.

-Tardei, mya madre, na fontana fria,
cervos do monte a àugua volvian.
Os amores ey.

Tardey, mia madre, na fria fontana,
cervos do monte volvian a áugua.
Os amores ey.

-Mentir, mya filha, mentir por amigo,
nunca vi cervo que volvess’o río.
Os amores ey.

Mentir, mya filha, mentir por amado,
Nunca vi cervo que volvess’o alto.
Os amores ey.

NOTAS

1 Este artigo é continuação de As filhas de Dana. Simbologia e tradição atlântica nas cantigas de amigo galego-portuguesas, também publicado na Palavra Comum.

2 É de justiça agradecer os valiosos contributos do Doutor André Pena Granha enquanto a simbologia e a filosofia célticas.

3 MARKALE, Jean, As Três Espirais – Meditação sobre a Espiritualidade Céltica, Ed. Pergaminho, 2000.

4 Ver Apêndice. Transcrevemos a versão destas cantigas editada por De Azevedo Filho, por considerá-la ajustada aos códices e produto de uma leitura crítica das edições anteriores.

5 Não temos mais notícias deste trovador que a da publicação no Cancioneiro da Vaticana e no Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa de nove cantigas da sua autoria. Alguns críticos supõem contemporâneo do Rei D. Dinis, quem reina entre 1279 e 1325. Deixamos sem tratar agora a importante questão da autoria e a cronologia para atender apenas os textos.

6 DE AZEVEDO FILHO, LEODEGÁRIO A., As Cantigas de Pero Meogo, Ed. Laiovento, Santiago de Compostela, 1995, 3ª ed.

7 MÉNDEZ FERRÍN, X. L., O Cancioneiro de Pero Meogo, Ed. Galaxia, Vigo, 1966.

8 FERREIRA, Mª do Rosario, Motivos naturalistas e configurações simbólicas nas cantigas de amigo, in GUARECER on-line, 2007. Artigo apresentado ao Colóquio Internacional Frauenlieder/Cantigas de Amigo, realizado na Apúlia em Março de 1999 e publicado nas respetivas atas, “Naturmotivik und Symbolik in cantigas de amigo” in Frauenlieder/Cantigas de Amigo Internationalen Kolloquien des Centro de Estudos Humanísticos (Universidade do Minho), der Faculdade de Letras (Universidade do Porto) und des Fachbereichs Germanistik (freie Universitat Berlin), Stuttgart, S. Hirzel Verlag, 2000, pp. 237/245.

9 MATASOVIC, R., Etymological Dictionary of Proto-Celtic, Brill, 2009.

10 ÁLVAREZ PEÑA, A., Mitologia Gallega, Ed. Picu Urriellu, Xixon, 2004

11 ERIAS MARTÍNEZ, A. “El hombre que vomita ramas (green man u hombre verde, Santiago el Verde…), y algunas figuras de resucitados de la Galicia Medieval: reflexiones a partir de algunos casos”, Anuário Brigantino, nº 32, 2009.

12 Seres mitológicos que habitam o mundo subterrâneo muito presentes no imaginário galaico.

Sobre o autor / a autora

Iolanda R. Aldrei

Iolanda R. Aldrei

(Galiza)

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