Poema de Táti Mancebo

Poema de Táti Mancebo

1 comentário 🕔15:32, 01.Out 2014

2014 09 Rocío Soto sobre poema Tati ManceboIlustração de Rocío Soto

 

Devera erguer-se a comprovar
se o último pensamento fresco
que ainda guarda é
o que amanhã lembrará que lembrou,
o único recurso da vigília
no combate a morte.

Lembra que uma vez
lembrou
que lembrara
que lembrava:
tome un presente para aliviar a queda!
cos olhos já extraviados
nun exíguo casal
imantado
com ecos do improvável.

Aceitará un dom efémero
e esquecerá que antes foi incunável

ou sonhará eternamente
cos corredores de palácio
que um pardal percorrerá
até dar coa saída
a céu estranho.

Sobre o autor / a autora

1 comentário

  1. 🕔 23:06, 01.Out 2014

    César Morán

    Fermoso jogo temporal e verbal. O contraste entre o efémero e o eterno. A frescura do pardal que abre e fecha o poema. Gosto especialmente da última estrofe.

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