Entrevista a Quim Farinha

Entrevista a Quim Farinha

0 comentários 🕔19:00, 05.Nov 2014

- Palavra Comum: Que é para ti a música?

- Quim Farinha: Umha pata da cadeira chamada cultura, tam necessária como frágil. Imprescindível em qualquer momento ou mesmo em qualquer batalha. O mundo sem música nom pagaria a pena… É um alimento da alma.

- Palavra Comum: Como entendes o processo de criação artística?

- Quim Farinha: Para mim é como umha espécie de transe. Quando quero criar, muitas vezes nom consigo nada, mas, pola contra, podo criar nos momentos mais inesperados. Quando tudo flui, podo estar muito tempo a desenvolver umha ideia. De qualquer modo, o que é mais importante para mim é o processo mental prévio ao desenvolvimento prático da obra. Dar-lhe voltas e mais voltas a umha ideia antes de realizá-la.

- Palavra Comum: Qual consideras que é -ou deve/pode ser- a relação entre as diversas artes (música, poesia, fotografia, etc.)?

- Quim Farinha: Considero que nom deveria haver fronteiras entre as diversas disciplinas. A gente precisa pôr-lhe etiquetas a todo porque é o que os meios nos querem vender, basicamente por questons comerciais… Mas deve mudar. A música e a poesia, por exemplo, sempre forom ligadas já desde há milheiros de anos, provavelmente. Mas, por que nom dança-poesia ou música-pintura…? Há muitos achegamentos percorrendo estes caminhos através de “performances” ou outros formatos, mas quase sempre rejeitados pola cultura de massas reduzindo-se o seu consumo às minorias.

- Palavra Comum: De quem te sentes, criativamente, filho ou irmão?

- Quim Farinha: Musicalmente falando, de tod@s @s companheir@s de profissom, que forom @s que mais me aportarom ao longo de todos estes anos, partilhando multitude de experiências, tanto musicais como humanas, já que considero que a amizade é fundamental na hora de desenvolver qualquer projecto.

- Palavra Comum: Que músicas/músicos reivindicarias por não serem suficientemente conhecidos (ainda)?

- Quim Farinha: A listagem seria muito longa…! Por desgraça, a indústria musical neste país é quase inexistente. De nada serve a boa saúde criativa d@s artistas se nom há meios para espalhar as suas criaçons…

- Palavra Comum: Que caminhos entendes prioritários para a música feita aqui hoje?

- Quim Farinha: Estamos a viver umha revoluçom cultural silenciada polos meios, silenciada polos políticos, e, em consequência, silenciada para os consumidores. E esta revoluçom cultural nom poderá chegar a ningures sem mudar estas mentalidades, e em definitiva, sem um projecto de país. O trabalho de cada cidade neste eido soma, assim como o trabalho de cada povo ou de cada parróquia… A nossa cultura esmorecerá se nom é potenciada desde a base. Assim, a presença massiva dos espectáculos de variedades em todas as celebraçons festivas do nosso país (ou “pachangas”, para entendermo-nos melhor… que, por outra parte, estám sendo potenciadas indiscriminadamente tanto polos meios de comunicaçom como polos poderes políticos), fai que as nossas músicas fiquem quase na marginalidade. O mercado fica absolutamente pervertido numha especie de círculo vicioso no que uma festa de qualquer aldeia, por pequena que seja, nom se entende se nom há milheiros de pessoas que devem consumir nos bares habilitados pola comissom, com o único objectivo de ganhar dinheiro para poder afrontar os elevados orçamentos destes espectáculos. Isto para mim é umha verdadeira lacra…

- Palavra Comum: Que importância tem para ti, além da música, a fotografia, a artesania, o desenho, …?

- Quim Farinha: Para mim, todas estas disciplinas tenhem a mesma importáncia, mas as circunstâncias permitirom que eu me puidesse adicar profissionalmente à música nos últimos anos. Agora parece que todo está mudando, e consequentemente encontro-me num processo de adaptaçom às novas circunstâncias tratando de mostrar um pouco mais todo o que levo fazendo nestas disciplinas de jeito “amateur” ao longo deste tempo.

- Palavra Comum: Que projetos tens e quais gostarias chegar a desenvolver?

- Quim Farinha: Na música, actualmente, estou a trabalhar com Talabarte, Os D’Abaixo, A Banda das Crechas e Aló Django. E por outro lado, no meu Obradoiro fago algo de lutharia (tanto arranjos como também a criaçom de novos instrumentos na procura de novas sonoridades), e artesania em madeira (desenhando e criando protótipos de determinados produtos para a sua possível comercializaçom…)

Venho de fazer umha intervençom performática musical no “Museo-Fundación Granell” em Compostela, na qual empreguei instrumentos da colecçom privada do artista, entre os que se encontrava o seu violino. É a primeira vez que afronto um projecto deste tipo eu só, e tenho que dizer que a experiéncia foi muito positiva, polo que gostaria de afondar mais neste caminho… Mas todo é questom de tempo.

Neste vídeo de Berrogüetto pode-se ver um exemplo de fusom entre disciplinas artísticas.

Este vídeo de Talabarte foi dirigido por Enrique Otero.

NOTA: A fotografia é de Juan Luís Rua.

Sobre o autor / a autora

Ramiro Torres

Ramiro Torres

(Galiza) Ramiro Torres nasceu na Corunha no 1973 e estudou Graduado Social. Tem publicado poemas na revista 'Poseidónia' e 'Agália', assim como no blogues 'A fábrica' e 'A fábrica da preguiça'. Inaugurou as edições do Grupo Surrealista Galego com o seu livro "Esplendor Arcano".

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