Gallaecia in armis

0 comentários 🕔13:30, 26.Nov 2014

No passado mês de outubro acudimos à apresentação do curso de esgrima histórica que aqui referenciamos, e que tanto nos agradou por constituir uma proposta que junta desporto, História, investigação da tradição, docência e fraternidade, todos valores muito necessários e habitualmente ausentes no mercado do ócio. Este foi o vídeo que logramos editar a partir do contacto com Gallaecia in armis.

«A Gallaecia in Armis nasce no 2014 da fussom de dous coletivos composteláns adicados ao estudo das HEMA: a Sala Compostelá de Esgrima Antiga (SCEA) e o Grupo de Jogo do Pau Compostela.

SCEA: Sala Compostelá de Esgrima Antiga

A SCEA cria-se em 2008, partindo dum grupo de gente que está a começar a descuberta das HEMA na nossa cidade. A sé original estava no Centro Social o Pichel, e as primeiras aulas forom literalmente com cabos de vasoura.

Antes do 2008, um par de amigos (Tomás Ahola e Efrén Faraldo) descubriram na internete a existência de manuais históricos de luita com espada. Com a ajuda dos companheiros da AGEA da Corunha (associaçom que logo se convertiria no germolo da federaçom galega de HEMA) começam o estudo dos primeiros tratados, e as primeiras aulas prácticas de espada roupeira e espada longa.

Após um seminário na Universidade de Verao do Pichel atraem uma quantidade de pessoas interessadas que vai flutuar ao longo desse ano. Consolidar um grupo estável é dificil, e com frequência há apenas duas pessoas, ou mesmo uma soa, a treinar. Para alugar um espaço no Pichel e consolidar o coletivo, criaśe formalmente a associaçom «Sala Compostelana de Esgrima Antiga» no ano 2008.

Por volta do 2010 da-se o primeiro grande salto qualitativo para a SCEA: a concessom dum pavilhom municipal habilita um espaço muito mais adequado e amplo que a sala de usos múltiples do Pichel. Apoiado numa campanha de publicidade agressiva (colantes, cartazes, facebook) o grupo medra de forma sostida. Estrutura-se a oferta de aulas e criam-se responsáveis por disciplinas, reforçando a qualidade do serviço ofertado.

Som também os anos do crescimento e consolidaçom das outras salas galegas de HEMA: Ourense, Lugo, Vigo, Corunha, Naróm… aos poucos vam aparecendo coletivos adicados às artes marciais occidentais por todo o pais. O anual Torneio AGEA «Torre de Hércules» convirte-se no evento de referência a nível nacional. Outros encontros (o Torneio Cidade de Naróm, os Encontros Galegos de Esgrima Antiga) tomam forma. A AGEA, inicialmente apenas o nome da associaçom da Corunha, vai-se ir conformando como a federaçom galega de HEMA que agrupa, paulatinamente, a todos os coletivos do pais.

Cria-se a AGEA Editora, selo adicado à investigaçom e publicaçom de livros de HEMA, particularmente das escolas ibéricas da «Verdadeira Destreza das Armas». No curso dos vindouros anos vai publicar meia dúcia de obras, algumas delas inéditas, incluindo traduçons ao inglês e interpretaçons técnico-práticas.

Em 2011, sócios da SCEA estám a atender a algum dos grandes eventos europeios (X HEMAC Dijon) e estatais (o encontro anual da AEEA, o Bilbao Armata, o I Torneo Corona de Aragón), establecendo contatos com o grosso da comunidade internacional.

Para o 2013, sócios da SCEA e da AGEA voltam ao HEMAC Dijon, esta vez convidados, para apresentarem o trabalho investigativo que estám a desenvolver sobre a Destreza Portuguesa. Outros convites para ministrar seminários (Encontro Anual da AEEA em Toledo, IV Encontro da Federação Portuguesa de Esgrima Histórica em Loures) testemunham a projeçom internacional que está a acadar o trabalho da sala.

É também no 2013 quando se iníciam as primeiras aulas de HEMA para crianças por parte da SCEA, impartidas no acampamento de verao do Instituto Rosalia de Castro, e a continuaçom em várias outras entidades de forma regular. Começa um plano de longo percurso para estabilizar grupos de práctica para crianças.

Finalmente, o 2014 inicia-se coa realizaçom do outro grande projeto de longo percurso da SCEA: a adquisiçom dum local próprio. Este evento precipita a fussom cum coletivo inicialmente promovido pola SCEA mais independente da mesma –Jogo do Pau Compostela– e a criaçom, portanto, duma nova marca: Gallaecia in Armis.

Grupo de Jogo do Pau Compostela

A SCEA toma contato com o Jogo do Pau das maos de Isidro Piñeiro em 2010, mestre de artes marciais de Vila Garcia que iniciou um esforço etnográfico de recuperaçom do mesmo tomando como base a tradiçom viva que recolhe de velhos jogadores. Estas pessoas dam testemunha de que o Jogo do Pau esteve vivo por todo o território nacional, e com especial força perto da raia, até há apenas umas décadas, em que o deslocamento da povoaçom para centros urbanos cercenou a transmissom oral desta disciplina marcial.

A nível europeio, nas HEMA surge, por volta do ano 2011, um interese crescente no Jogo do Pau, por ser uma arte marcial viva com claros vínculos históricos (há muitas têcnicas atuais que aparecem documentadas em manuscritos do S.XV e redondezas).

Em este contexto, a Sala Compostelá de Esgrima Antiga organiza, em colaboraçom com a Gentalha do Pichel, dous seminários de Jogo do Pau (em 2011 e 2012) impartidos por Isidro Piñeiro que suscitam notável interese.

De esse interese nasce um pequeno grupo, autónomo da SCEA, dedicado à prática  do mesmo. Para os ajudar nos primeiros pasos o companheiro da SCEA Iago Fernández Otero dá umas aulas de instruçom na própria Gentalha do Pichel durante o inverno de 2012-2013.

Com a consolidaçom do grupo e a iniciativa de criaçom dum espaço adicado às HEMA em Compostela, o Grupo de Jogo do Pau Compostela soma-se ao projeto da Gallaecia in Armis.»

{In GALLAECIA IN ARMIS}

Sobre o autor / a autora

Alfredo Ferreiro

Alfredo Ferreiro

(Galiza) Alfredo Ferreiro nasceu em 1969 na Corunha, onde estudou Filologia Hispânica. Pertence à Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega, à Associaçom Galega da Língua e ao Grupo Surrealista Galego. Tem participado desde os anos 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas. Na atualidade trabalha como escritor e consultor tecno-cultural.

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