3 poemas de Thiago Ponce de Moraes

3 poemas de Thiago Ponce de Moraes

0 comentários 🕔15:00, 24.Dez 2014

MINIBIOGRAFIA

Thiago Ponce de Moraes é um poeta e tradutor brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 1986. Publicou os livros de poemas Imp. (Caetés, 2006) e De gestos lassos ou nenhuns (Lumme Editor, 2010), além do livro de ensaios Remos e Versões (Multifoco, 2012). Atualmente, é doutorando em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense (UFF) e professor no Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ).

TEUS LÁBIOS COBREM minhas feridas com delicadeza.
Cessa o rio que corre da lembrança
Neste instante –
E este instante resta enquanto some.

Teus lábios percorrem minhas feridas
E não sou mais –
Somos, eu e tu,
Este instante nossa vida.

***

QUANDO BALBUCIAS tuas sílabas
E eu te devolvo a noite,
Estás em minha boca e tua língua

É minha língua.

Quando fremem os teus lábios
E eu os toco com a carne,
Estou já sobre teu corpo e teu corpo

É meu corpo.

Quando impera o silêncio
E meus olhos os teus tão perto,
Estamos juntos entre as pernas, existimos,

Somos nossos.

***

UM E TRÊS SONETOS

Ancoragem

Construo sobre a luz tua morada,
As cinzas que irás lograr tardia.
Construo tua chegada, tua saudade,
A sombra inatural que em ti esculpes.

Construo a farsa, o rosto da amada,
Os simples gestos que irradiam os dias.
Construo sobre os traços da tua culpa
A curva da viragem: a ancoragem

Construída corpo adentro, à margem
De teu ventre em mênstruo devoluto.
Construo sobre a luz do branco hábito

O rubro hálito desta vigília.
Construo avesso ao viço da estiagem
O teu regresso em torpe balbucio.

Margem

Construo sobre a luz tua morada,
As cinzas que irás lograr tardia.
Construo tua chegada, tua saudade,
A sombra inatural que em ti esculpes.
Construo a farsa, o rosto da amada,
Os simples gestos que irradiam os dias.
Construo sobre os traços da tua culpa
A curva da viragem: a ancoragem
Construída corpo adentro, à margem
De teu ventre em mênstruo devoluto.
Construo sobre a luz do branco hábito
O rubro hálito desta vigília.
Construo avesso ao viço da estiagem
O teu regresso em torpe balbucio.

Vigília

Construo sobre a luz tua morada,/ As cinzas que irás lograr tardia./ Construo tua chegada, tua saudade,/ A sombra inatural que em ti esculpes.// Construo a farsa, o rosto da amada,/ Os simples gestos que irradiam os dias./ Construo sobre os traços da tua culpa/ A curva da viragem: a ancoragem// Construída corpo adentro, à margem/ De teu ventre em mênstruo devoluto./ Construo sobre a luz do branco hábito// O rubro hálito desta vigília./ Construo avesso ao viço da estiagem/ O teu regresso em torpe balbucio.

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