<em>No 25 aniversário da queda do muro de Berlim. A RDA que foi e a que nos dizem que foi</em>, por Carlos Velasco

No 25 aniversário da queda do muro de Berlim. A RDA que foi e a que nos dizem que foi, por Carlos Velasco

0 comentários 🕔15:00, 18.Mar 2015

Em novembro de 2014 os meios de comunicaçom ao serviço da oligarquia de sempre voltárom a assaltar-nos com a notícia das comemoraçons do 25 aniversário da queda do muro de Berlim e subsequente desapariçom da República Democrática Alemá.

Confesso que o tratamento dado ao acontecimento referido, nom por esperado (pois foi o mesmo que em ediçons anteriores) deixou de me provocar a explosom de adrenalina própria de umha situaçom dessas, apesar de eu estar afeito de há muito a assistir com paciência infinita a grotescos espetáculos de manipulaçom mediática. A cousa nom tinha desperdício. Mais umha vez a RDA era-nos apresentada como o reino do terror; um sinistro e tenebroso Estado dirigido por governantes malos malísimos escorados numha coorte de polícias grisalhos e implacáveis especializados em tornar a vida insofrível a uns cidadáns sumidos no horror e a desesperança. Nom acabavam aí as desgraças: a economia germano-oriental dizque se achava ao borde mesmo da falência, enquanto os apouvigados súbditos de tam despótica camarilha dirigente nom tinham em vista outro horizonte que fugirem espavoridos rumo ao ocidente salvador. Fugida que, aliás, lhes era impedida pola crueldade intrínseca de um regime que nom duvidava em atirar a matar, caso de ser ultrapassada ilegalmente a linha de fronteira. Afortunados fôrom, já que logo, os habitantes do estado socialista alemám no dia em que o muro antifascista se esbarrulhou, pudendo eles, logo a seguir, acolher-se à benéfica cidadania da RFA, um país de liberdades irrestritas e prosperidade tal que nem o País das Maravilhas da Alícia.

A realidade, porém, era bem outra, como sabia —e sabe— qualquer um que conhecesse minimamente, mesmo esquematicamente, as interioridades da RDA e fosse quem de seguir os acontecimentos de novembro/dezembro de 1989 erguendo o periscópio por riba da vaga de euforia demagógica emanada do ocidente democrático. Daí que resulte intolerável a pretensom dos media de apresentar os tais acontecimentos como o que nom fôrom, fazendo ver do branco negro num exercício de insulto à mais elementar inteligência, para além de umha exibiçom de falsidade. Constato, aliás, que nom fum o único a experimentar a sensaçom de nojo que aqui tento transmitir, o que nom deixa de ser um alívio. Com efeito, fôrom diversos os artigos de opiniom e mais expressons de dissidência a respeito da versom oficial e politicamente correta aparecidos a contrafio das mencionadas comemoraçons do mês de novembro passado. Lembro-me de modo especial de um contributo publicado por aqueles dias no portal Rebelión, da autoria de umha conhecida comentarista cujo nome nom gravei, infelizmente, na memória. Impactou-me deveras pola sua rotundidade. Recolhia em essência argumentos muito semelhantes aos que vou tentar desenvolver nas linhas a seguir, num tom de manifesto desgosto em face do que lhe tocava assistir.

Dito o qual, cumpre esclarecer antes de mais que nom se pretende aqui cantar as supostas excelências do regime político da RDA, à maneira de contracara da opiniom maioritária em Ocidente, apresentando-o como a encarnaçom da justiça, a liberdade e mais a felicidade universais. Certamente nom era. O Estado era autoritário e policíaco; muitos cidadáns eram perseguidos e encarcerados por atividades dizque atentatórias contra a segurança do Estado que nom iam além de afirmaçons próprias da mais básica liberdade de expressom, visando, a mais, o aperfeiçoamento do socialismo e nom o contrário. A delaçom e a intimidaçom eram práticas frequentes e a democracia inexistente, abafada por umha andaimaria institucional só formalmente pluralista que reservava ao Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED, nas siglas em alemám) a prática exclusividade da representatividade e o controlo político, na companha de forças políticas comparsas (socialdemocratas e democrata-cristás, por sinal) a colaborarem com ele no mantimento da ficçom. O socialismo desenvolvido pretensamente construído no país era, pois, em grande medida, umha caricatura de si próprio.

Mas essa era só umha parte da realidade, a menos grata, com certeza. Pois que a carom dos fatores anteditos existiam outros, como a prática inexistência de desemprego, umha estabilidade laboral desconhecida nas democracias ocidentais, um avançadíssimo regime de providência social (pensons, seguros de maternidade e de velhice, prestaçons por discapacidade e um longo etc.) nalguns aspetos mesmo melhor que o da RFA, segundo algumhas opinions; educaçom e sanidade universais, plena incorporaçom da mulher ao mundo laboral, umha alta qualificaçom dos trabalhadores e técnicos e considerável potencial científico e inteletual, por nom falar do espetacular desenvolvimento em matéria desportiva. A combinaçom de todos estes elementos dava como resultado um país moderno e ordenado, com umha renda per cápita superior à espanhola (só que muito melhor repartida), altamente industrializado e situado à cabeça do bloco socialista, sendo por isso considerado como referente para outros muitos Estados, nomeadamente do mundo subdesenvolvido. Também —e isto nom é menos importante— um país onde as incertezas da juventude trabalhadora e estudante a respeito do seu futuro ficavam despejadas desde o momento em que, a partir do último curso da sua formatura, os moços e moças prontos a entrar no mercado laboral conheciam já nom apenas que iam ter emprego assegurado, como o posto concreto que iam desempenhar e a unidade produtiva a que iriam destinados. Afinal de contas, a ausência de stress e angústia polo futuro nom som porventura indicadores de qualidade de vida?

É claro que a caraterizaçom que venho de fazer nom encaixa com a de um Estado terrorista, híper-opressivo e poço de todos os males. Nenhum Estado despótico poderia ter alcançado semelhantes realizaçons sem contar com o apoio e consenso de umha parte considerável dos seus cidadáns. E isso exatamente foi o que aconteceu por mais que, interesseiramente, se oculte. Pois é: a criaçom da RDA nom foi unicamente, como se nos pretende fazer crer, o resultado do diktat soviético em terra conquistada. Foi também um ente voluntariamente construído por milhones de alemáns anti-fascistas; a materializaçom do seu sonho de empreender umha via de desenvolvimento nom capitalista em solo alemám, igualitarista e nom entortada pola herança do nazismo, como a reacionária República Federal. Sonho e projeto, tudo há que dizê-lo, a entroncarem solidamente na secular tradiçom emancipatória do movimento operário germano de fasquia socialista, desde Marx e Engels e a socialdemocracia decimonónica até ao KPD (Partido Comunista da Alemanha). Mália algumhas almas farisaicas pretenderem o contrário, nunca o socialismo fora algo estranho para o povo alemám.

Isto último sabe-o qualquer conhecedor dos movimentos sociais do país em tela, mormente se for historiador. E a quem o nom souber será bom recomendar-lhe a leitura das memórias e escritos políticos de personagens como Eric Honecker (penúltimo presidente do Conselho de Estado da RDA e Primeiro Secretário do SED) ou Markus Wolf (chefe dos Serviços de Inteligência Exterior) (1). Poderá-se-nos argumentar, com razom, que tais indivíduos, na sua qualidade de dirigentes do regime socialista, nom som inteiramente de fiar. E, certamente, nom temos por que acreditar a pés juntos em tudo o que nos dim. Mas os seus testemunhos —além ou aquém da sua sinceridade e honradez— som reveladores de que a construçom estatal que eles comandavam assentava sobre a convicçom de muitos dos seus compatriotas de que aquele era substancialmente um regime cujo alvo era a justiça e a igualdade dos cidadáns, à margem de certos escandalosos privilégios materiais de que desfrutava a elite governante. Podemos concordar com isso ou nom; o que nom podemos é negar sem mais as realidades de que nom gostamos.

Outra questom é que um Estado socialista na Alemanha, em pleno coraçom da Europa e no contexto da guerra fria, só fosse viável graças à construçom do muro. Triste, mas certo. Assediado desde o início polas potências ocidentais, e de jeito muito especial pola montra híper-consumista desenhada a tal efeito em Berlim-Oeste, o fragmento mais pequeno e pobre da Alemanha só podia salvaguardar a sua via socialista de desenvolvimento —com êxitos mais que notáveis, como vimos— erigindo umha defesa efetiva em face ao cerco. Era isso ou nada, assim de simples. O problema que tal situaçom acarretou, como sabemos, foi umha antinatural restriçom dos deslocamentos dos cidadáns germano-orientais à RFA (que, entretanto, podiam viajar livremente de férias a outros países do chamado campo socialista). O resultado: o país perdeu em quatro décadas arredor de um milhom de habitantes através de umha sangria de migraçons legais e ilegais para Ocidente (uns quantos milhares dos quais, aliás, acabariam regressando, desiludidos com as realidades do paraíso ocidental); e, para além disso, um número considerável de vítimas mortais produzidas por disparos dos guarda-fronteiras, interpretadas mais umha vez e como sempre como evidência palpável do feitio essencialmente criminoso do Estado socialista alemám (2).

A criminalizaçom: velaí a estratégia vingativa das autoridades germano-federais (que, antes do reconhecimento diplomático formal da RDA na década de oitenta, se recusaram reiteradamente a considerá-la como um Estado, empregando habitualmente a tal efeito a expressom pejorativa zona de ocupaçom soviética) prontas a aproveitar a imelhorável ocasiom que lhes brindava a crise e subsequente esbarrulhamento do seu incómodo vizinho (e parente) oriental. Vítimas sobranceiras dessa estratégia fôrom os dirigentes da RDA, reduzidos à condiçom de meros delinquentes sem que de nada lhes servisse a sua brilhante folha de serviços na luita anti-fascista entre 1933 e 1945, nem as torturas e os anos de prisom sofridos por tal motivo (3). Ao cabo pouco importava isto último aos novos inquisidores, quando a ideia principal a transmitir era que o socialismo em si mesmo era umha doutrina criminosa. Ora, a cousa nom ficou por aí, pois os poderes político-económicos da RFA sob comando formal de Helmut Kohl (4), numha exemplar demonstraçom de ódio de classe (5), logo deixárom entrever o alcance do objetivo que realmente visavam: o desmantelamento total da RDA e a aniquilaçom da sua identidade sociocultural diferenciada para ela nom deixar rastro. É iso que explica a sanha e o rigor implacável, metodicamente calculado, com que, sob pretexto de irrentabilidade e impossibilidade de adaptaçom às exigências da “economia de mercado”, foi destruído o tecido industrial da Alemanha do Leste (incluindo empresas de vanguarda e alto nível tecnológico, totalmente “competitivas” de umha perspetiva capitalista, como a de materiais fotográficos Pentakom); desprezado o seu potencial científico e inteletual, degradada a sua mam-de-obra especializada; dissolvidas as suas Forças Armadas (como é que iam ser integrados, como inicialmente fora dito, uns mandos militantemente comunistas nas estruturas otánicas da Bundeswehr?) (6); liquidada a sua Universidade (através de umha monumental purga dos seus professores, forçosamente passados à situaçom de retiro) (7), e assim por diante. Aspetos, esses, dos que pouco ou nada se fala por estas latitudes, significativamente.

Considerando tudo o antedito, cuido que nom fai falta ser um firme partidário do socialismo (e eu som, quero que se saiba) como simplesmente democrata, para enxergar que muitas cousas nom encaixam, nessa unificaçom precipitada e irresponsável —como um dia a alcunhara o escritor Günter Grass—, com a versom edulcorada que acerca dela se nos deu; sobretudo à vista dos resultados vinte e cinco anos volvidos, em que, inquérito após inquérito e de um jeito tam inexplicável quanto embaraçoso para as autoridades da RFA, um número crescente de cicadáns do Leste, e a cada vez mais jovens, opinam que se vivia melhor sob o regime socialista do que agora (8).

Longe de se fazer eco disto, a comemoraçom do 25 aniversário logo se tornou enéssima cenificaçom do simulacro e a mentira. De novo voltárom a desfilar, nas imagens de arquivo, uns opositores ao regime socialista presuntamente entusiastas da degluçom do seu pequeno Estado pola sua vizinha RFA; quando na realidade, como era perfeitamente sabido, o seu alvo político era o aperfeiçoamento do socialismo —depurando-o dos seus aspetos policíaco-repressivos— e nom o mergulho no capitalismo, opçom esta que só tomou corpo a partir da interferência dos poderes políticos e económicos de Bona nos destinos da RDA. De novo a comparecer perante os nossos olhos um patético Gorbatchov pronto a afagar a sua velhice com o agradecimento das democracias do Oeste polo seu “transcendental papel” na reunificaçom alemá, emboçando na realidade o seu rol de comparsa e títere manipulado a toda a hora polos que ele julgava serem os seus parceiros ocidentais na construçom da casa comum europeia (9). E assim por diante, disparate após disparate até ao delírio final. Nada de bom ficava na lembrança do país recriado postumamente em filmes magníficos como Good bye Lenin, de Wolfgang Becker, e A Vida dos Outros, de Florian Henkel von Donnersmark; do país das rutilantes vitórias olímpicas, do fermoso hino tantas vezes ouvido nas cerimónias protocolares e o escudo com os símbolos do trabalho (as espigas, o compasso, o martelo) tam diferentes da agressiva águia imperial da RFA; do Estado que produziu, ou no seio do qual vivérom e desenvolvérom a sua obra escritores, dramaturgos e cantores como Christa Wolff, Bertolt Brecht ou Wolf Biermann; pensadores, historiadores, teóricos da política e científicos como Ernst Bloch, Manfred Kossok, Rudi Dutschke, Rudolph Bahro, Robert Havemann ou Wolfgang Harich, boa parte deles, por certo, retaliados polas suas atividades de livre pensamento ou mesmo privados da sua nacionalidade numha certa altura das suas vidas (10) do país, infelizmente, também da Stasi… Em qualquer caso um país, com todos os seus defeitos, em que muita gente como a nai do protagonista de Good bye Lenin acreditava, e a cuja construçom muitos e muitas alemáns consagrárom o melhor das suas vidas fazendo valer o direito a construírem umha sociedade sem capitalismo.

Se acaso o rebuliço levantado pola descoberta dos arquivos secretos da sua Polícia Política, a mencionada Stasi, simbolize melhor que nada a contradiçom que acabaria por arrastar a RDA à sua destruiçom: a de ter querido erigir um Estado cujo alvo principal fosse a satisfaçom das necessidades materiais e espirituais do ser humano e a afirmaçom da dignidade dos humildes, defendendo-o por meios autoritários que à larga empecérom o livre desenvolvimento dos seus cidadáns, esses mesmos humildes e trabalhadores que o construíram. Seja como for, nenhum projeto emancipatório da humanidade, chame-se socialismo ou nom, poderá ser levantado no futuro sem levar em conta tanto o que aqui houvo de errado, como as suas inegáveis conquistas que um dia terám de ser retomadas, nomeadamente a propriedade pública dos principais meios de produçom, a planificaçom económica e o colocar a paz, a solidariedade e a igualdade como eixo das relaçons humanas.

Em 1989/90 apostei sinceramente por um Estado autenticamente socialista em território alemám. Perdim. Das cinzas do socialismo estalinista da RDA nom surgiu um socialismo renovado mas o retorno ao capitalismo. Como derrotado da História (e da Revoluçom) estou disposto a assumir a minha condiçom de tal. O que nom admitirei jamais som as reescrituras falsárias, miseravelmente interesseiras da História em favor dos inimigos mortais da Humanidade: a burguesia e o capital.

Galiza, 70 aniversário da vitória antifascista na guerra europeia.

NOTAS
(1) De Eric Honecker som especialmente interessantes as suas Notas da prisom, redigidas entre 1992 e 1993 na prisom de Berlim-Moabit, disponíveis na versom castelhana em Rebelión. Quanto às memórias de Marcus Wolf, fôrom publicadas em castelhano sob o título El hombre sin rostro, Buenos Aires, Javier Bergara Editor, 1997.
(2) A hipocrisia de tal interpretaçom é rechamante, levando em conta que qualquer Estado soberano internacionalmente reconhecido (como era a RDA) teria procedido de igual jeito quando posto no transe de enfrentar fugidas ilegais dos seus cidadáns, isto é, mandando atirar aos seus guarda-fronteiras caso de os evadidos nom obedecerem a voz de alto. Outra cousa é pormos em causa a justiça dessa ilegalidade, o que daria para um outro debate.
(3) O escandaloso julgamento a que fôrom submetidos, com a pasmosa aquiescência de Mikhail Gorbatchov, vinha ressaltado polo passado filo-nazi de muitos dos que agora os julgavam e pediam as suas cabeças.
(4) Note-se que fora o mesmo Kohl que propiciara, dous ou três anos antes e em qualidade de chanceler federal, o processo de reconhecimento oficial da RDA, culminado com a visita de Estado de Eric Honecker à RFA em setembro de 1987. Seria a primeira vez, e última, que um mandatário germano-oriental visitasse República Federal.
(5) O clima de vingança e ódio de classe, diretamente proporcional ao desafio que a ereçom de um Estado socialista em solo alemám supugera durante quarenta anos, tivo como claro exponente, entre outros, a condena a longos anos de prisom do derradeiro mandatário da RDA, Egon Krenz, em contraste com a prodigalidade comunmente amostrada, em casos similares, para com ditadores e genocidas de direitas procedentes de qualquer país capitalista.
(6) Denominaçom oficial do Exército da RFA.
(7) À parte outras consideraçons, provavelmente seja este facto que explique a cena da espetacular borracheira do professor universitário e amigo de umha das personagens principais do conhecido filme Good bye Lenin.
(8) No último desses inquéritos a percentagem de entrevistados a afirmar o arriba referido ultrapassava com muito o 50%, tendo alastrado enormemente tal parecer no segmento etário dos menores de trinta anos, isto é, naqueles que nunca vivérom na RDA.
(9) A pregunta surge, incontornável: ele nom terá vergonha esse homem para se apresentar assim, logo de ter abandonado à sua sorte, nas gadoupas dos carrascos, os seus outrora fieis aliados do SED? Será que nom resta um átomo de dignidade em quem um dia semelhou ser um estadista de notabilíssima envergadura internacional comprometido na renovaçom do socialismo?
(10) Todas estas personalidades tenhem obra publicada em Espanha, sobre a que poderíamos dissertar largamente. Por razons de espaço, limito-me aqui a mencionar o contributo de Wolfgang Harich enquanto que precursor, na década de setenta, das modernas teorias do decrescimento. A porçom mais significativa da sua obra foi traduzida por Manuel Sacristán para a Editorial Icaria de Barcelona, sob o título de ¿Comunismo sin crecimiento?

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