<em>Eu vi sol em toda a sua glória</em>, poemas de Amosse Mucavele (II)

Eu vi sol em toda a sua glória, poemas de Amosse Mucavele (II)

1 comentário 🕔13:15, 15.Abr 2015

Amosse Mucavele, nascido em 1987 em Maputo (Moçambique), onde vive, é poeta, ensaísta, antologiador, tradutor e cronista. Dirige o projecto de divulgação Literária Esculpindo a Palavra com a Língua, é chefe da redacção de Literatas, Revista de Literatura moçambicana e lusófona, membro do Conselho Editorial da Revista Mallarmagens (Brasil), Revista Eisfluencias – Portugal, colaborador do Pavilhão Literário Singrando Horizontes – Academia de Letras do Paraná, Jornal Coruja, Revista Triplov e outras. Membro da academia de Letras de Teófilo Otoni-Minas Gerais e da International Writer Association (IWA-Ohio-USA). Publicou textos em diversos jornais do mundo Lusófono.

Ouvi dizer que no mar
o peixe tenta conservar tudo que lhe resta
– a palavra-
o pescador sobre o barco
desperta a aliança
que se estende em torno do mar – o Horizonte

***

Hoje de novo sigo o rumo do mar
para o silêncio
e contemplo na voz do barco
a condução do sol em toda sua glória

aqui a distância mantêm o seu laço com a terra
sem nenhuma rede a espelhar o destino

***

Xefina

Eis a ilha
um anel sem voz
a estrela da manhã

(que brilha no dedo do mar)

***

Eu vi o sol em toda sua glória
a caminhar pelas margens do mar
minhas leves mãos
sem retorno
festejavam por detrás do amanhecer
(a verdade deste silêncio que nos ilumina)

***

Eu vi o sol em toda sua glória
a pernoitar na estação de missavene
e sob os carris da incerteza
a               vi os passageiros com chaves de lágrimas

(a abrirem as portas da distância)

***

Dia de Sol

Sol eis dia
mar por onde navego os dias todos
como um pescador vestido de remos e barco
cansado de saber que o seu repouso
É o canto do clarinete do amanhecer

***

Dia
entre os olhos brilham
as águas ardentes do mar longe
nascente, onde o sol floresce

***

A Ilha Nua

No porto de águas profundas
celebro o baptismo do caminho longe
á luz do mistério – costuro a inadiável viagem
para esconder-me na floresta densa
deste náufrago

onde toco as conchas de silêncio com o trompete do tempo

***

A Palavra, lavra o Poema

Com a palavra
traço o caminho
onde o dia amanhece

Com a palavra
regresso ao nada
onde invento outras ilhas

Com a palavra
domestico o tempo
e também me questiono

contra o silêncio que se suicida neste poema

***

A espera de chapa numa paragem qualquer

Na hora da ponta
regresso ao fim

de olhos pálidos de angústia
ressuscito a palavra que se amotina
– a chegada –

***

Xiquelene

Trancado na jaula, a terminal
desnorteado, o chapa fala outra língua
na veloz hora da ponta
perco a esperança na serpente bicha

perco a esperança na serpente bicha
trancado na jaula, a terminal
os olhos vagueiam sob a multidão em chamas
na veloz hora da ponta

os olhos vagueiam sob a multidão em chamas
na veloz hora da ponta
perco a esperança na serpente bicha
trancado na jaula, a terminal

perco a esperança na serpente bicha
na veloz hora da ponta
desnorteado, o chapa fala outra língua
espelha-se a angústia no corpo do engarrafamento, oh my love!

1 comentário

  1. 🕔 8:55, 16.Abr 2015

    P.man

    Esta doce isto man, forca

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