<em>Eu vi sol em toda a sua glória</em>, poemas de Amosse Mucavele (e III)

Eu vi sol em toda a sua glória, poemas de Amosse Mucavele (e III)

0 comentários 🕔12:50, 22.Abr 2015

Amosse Mucavele, nascido em 1987 em Maputo (Moçambique), onde vive, é poeta, ensaísta, antologiador, tradutor e cronista. Dirige o projecto de divulgação Literária Esculpindo a Palavra com a Língua, é chefe da redacção de Literatas, Revista de Literatura moçambicana e lusófona, membro do Conselho Editorial da Revista Mallarmagens (Brasil), Revista Eisfluencias – Portugal, colaborador do Pavilhão Literário Singrando Horizontes – Academia de Letras do Paraná, Jornal Coruja, Revista Triplov e outras. Membro da academia de Letras de Teófilo Otoni-Minas Gerais e da International Writer Association (IWA-Ohio-USA). Publicou textos em diversos jornais do mundo Lusófono.

Mercado Xipamanine, outside

Como se fosse um cemitério, todo mundo chora
os vendedores ambulantes, os chapeiros
e a polícia com as multas anuncia a melodia da tristeza

***

Morri no mar
e ressuscitei no rio
tenho saudades do sal

***

Quando o mar é tão distante
o sol transborda no caminho apagado
pelas cinzas da demora
os barcos continuam a tossir a partida
mesmo assim partirei para ilha
encarcerado de conchas e garças
no litoral da espera

***

Ilha de Moçambique

Quando o mar é tão distante
inventamos outras rotas de vésperas
com pétalas desabrochadas em pedras
construímos castelos de tempo

quando o mar é tão distante
a ilha é uma doce penitência

***

A carta que nunca te escrevi

Não caminhes com um nome nos lábios
dispa o batom que ensurdece o teu destino
caminhe como a saudade no deserto
onde repousa a esperança – o oásis

***

Bocaria

Ergue-se de cinzas
a avenida Julius Nyerere
quando o vulcão chora

da boca da lixeira
soluça a síntese da fuga
quando
mastiga-se os frutos ornamentados pela podridão

***

Xitala mati 1

Aqui as rãs
flutuam no peso da régua que mede o instante

na esperança molhada
contemplamos o brilho do sol em toda sua glória

***

Xitala mati 2

Aqui as rãs
coacham ao rítmo do movimento do tempo

na distância do abandono voluntário
saboreamos a música que arde no coração do charco

***

A letra
cresce
a     na Vertical
como se de algum mar
com tumor
se tratasse

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