Músicas de Auel 14. O Coro na Lua. Ugia Pedreira & Pierrot Rougier

Músicas de Auel 14. O Coro na Lua. Ugia Pedreira & Pierrot Rougier

0 comentários 🕔15:00, 15.Out 2015

Levávamos meses na Marinha pensando em como podíamos manejar o tempo que temos com Lua nos cuidados de longa duraçom e mais sobreviver com alento e coa economia imprescindível. Como podíamos equilibrar as nossas capacidades, juntá-las e dar-lhes forma para poder estar com Lua em presença, na força, desde o convencional trabalho sem ter ajuda diária dumha pessoa para a cuidar. Lu ou fica duas horas com seus avós maternos ou com a sua madrinha Marina. Meu pai e Marina som os únicos que poderiam dar-lhe algo de comer com culher. Por agora depende habitualmente de papá e mamá para as habilidades com biberom e culher.

Amigas-os achegadíssimos perguntavam-nos quando faríamos algo relacionado com a nossa arte musical na comarca. Nós queríamos artelhar recursos onde a arte fosse transparência da nossa vida. É por isso que pensamos em CANTAR, o que fazemos diariamente para nós, para Lu. Ela dorme-se as mais das vezes cumhas cançons de noite de papá e mamá e desfruta dos momentos de improvisaçom vocal que acontecem porque si.

Recolhendo vários pareceres foi o farol rinlego quem nos dirigiu a esta nova aventura: O Coro da Marinha. Ao chegar a Rinlo falarom-nos da existência e desapariçom dum coro local. Cosme, o vizinho que silva e canta todo o dia falou-nos de quando um rapaz de Corunha vinha a Rinlo para dirigir o coro por seis euros cada participante. A técnica de cultura de Ribadeu explicou-nos que essa era umha das atividades que fazia o rapaz, ademais do seu trabalho na escola de música.

Este povo marinheiro caracteriza-se polo carácter dos seus moradores-as, polo arroz caldoso com mariscos (receita chegada de Portugal há anos pola antiga e primeira cozinheira do restaurante A Cofradia), e por ser um dos portos galegos e mesmo do Cantábrico que nom sofreu especulaçom urbanística e se mantém com encanto, um antigo porto baleeiro que agora vive do turismo e dos bons percebes e onde as placas das ruas som da cerâmica de Sargadelos.

Graças a Laura e Pedro, da As. O Cantal de Rinlo, descobrimos a antiga escola indiana, chamada a Escola Vella. Um singular edifício lindíssimo que nos encheu de ilusom. Este edificio com história tem um dos relógios de mais avoengo da Península, um conhecido Canseco, como o do Escorial de Madrid. O relógio tá abandonado e sem restaurar. Graças a que eles apuxarom com paixom a nossa ideia começamos a colocar pedrinhas no projecto. Graças aos contatos e mirada da Oficina Galega doutros Asuntos do Movimento, que compartilho com Marina Oural, também pudemos centrar mais o projecto com a experiéncia em produçom das duas e dentro do nosso interesse maximal que é espalhar a ideia da arte como saúde necessária e essencial.

Começamos a idear o projecto sendo conscientes do que podíamos os dous dar e no que podíamos colaborar juntos como compadres. A imaginaçom criativa para jogar com as vozes e os arranjos musicais correrám a cargo de Pierrot, eu levarei a produçom, comunicaçom, dinâmicas, expressom e técnica do coro segundo as minhas conclusons de todos estes anos em escena e aulas. Aproveitamos o gosto polo mundo ilustrativo de Pierrot que fixo os desenhos de possíveis pessoas desconhecidas interesadas no cantar, salvo umha, a nossa Tati Cata, pachamama estremenha marinhá, loba que conhece este território e outros tantos. Tanto a ajuda de Cata como a de Marina na escrita-visom foi primordial para afiançar a publicidade. Aproveitei as miles de horas que passei com desenhadores e maquetadores diante do computador para ponher em órbita o cartaz que passou polas maos do desenhador luguês Diego Nuñez, quem tivo a ideia das cores e raias azuis. Com pesar deixei a um lado o “nh”, para as minhas cançons futuras.

Falamos com Alejandra Barella, de Musilabos (Madrid). Ela tem muita experiência em coros desde a práctica de coro para o Musical de Michael Jackson até o coro de bairro. Ale deu-nos muitas claves. Visualizamos as corais polifónicas, os coros das escolas de música, os coros tradicionais legendários da Galiza e começamos a situar o nosso espaço e ninho. Com o ânimo em todo momento de nom promover a competência, sem plantar pessegueiros e intentar ser complementares ao espectro que há na nossa terra.

Posto que a Marinha funciona como área metropolitana e nós percorremo-la de jeito normal, assim sentimos também o coro. Um coro comarcal que tenha em conta o ocidente de Asturies, o mar e os povos de montanha. Na nossa vida diária imos a Foz por médicos, a Burela por atençom temperá e logopedia, a Viveiro ao spá, a Cervo a casa Cata, a Mondonhedo a visitar os titeriteiros, etc. Quando eu era pequena íamos os domingos de passeio a Castropol, a buscar sapatos a Viveiro, a comprar a roupa em Ribadeu, as festas de Cabarcos, à serralharia da Veiga etc. É umha comarca que tem o movimento como normalidade quotidiana.

Também aunamos essa image de “Festival du marins” que lembra Pierre de Bretagne, a modo de inspiraçom nada mais, pois para ele som muito típico-tópicos e no meu caso o amor que tenho polas músicas de porto já exprimido em Marful, Nordestinas, os cantos tabernários ativados ou o desaparecido Festival de Músicas Portuárias de Ferrol, que foi um filho muito prezado para mim no tempo que durou. Para mais casuística, muitos povos marinhaos tam irmanados com povos bretons.

O mar que nos acolhe, que nos leva ao cérebro primitivo, que recolhe o peso, que ajuda a respirar, que favorece a vitamina D, as nossas praias marinhás propícias de iodo, o mar em que jogamos, nasceu o Sr. Pataca com as suas pedras modeladas e nos tem lambido as feridas.

Sempre o mar e o horizonte. O mar que nom se vê no monte mas é sentido. O mar será o nosso motivo, mas nom o único. Pensamos em cançons que fagam referência a ele, em qualquer estilo musical, pois Lu desfruta da música bem feita seja qual for a categoria. Abertura total em arranjos e estilos onde a improvisaçom tenha o seu espaço, pois graças a ela fomos, imos levando com dignidade e beleza o instante com esta picarinha. Graças ao improviso descobrimo-nos e damos a Lu momentos inimagináveis antes do seu nascimento.

Fai-me cóxegas no ventre este projecto que nasce desde o pequeno, sem apoio de nengumha instituiçom, que vai direto à gente e é ela quem decide aceitar ou nom a nossa proposta.

No meu caso, tendo já andado festivais polo mundanal mundo, realizado projectos desde a sua redaçom até o seu fim físico, pedido subvençons e patrocínios, contratado pessoal, conversas com políticos de todas as cores, depois de ter feito comunicaçom ao uso e desuso… agora O Coro da Marinha fai-me mais consciente do que significa a magia da gestom artística numha comunidade. Da magia da arte, que havê-la hai-na e nom se pode estudar. Essa magia que ainda hoje tem o pequeno arte-sám e que o aprendiz vai vislumbrando em cada chispa.

Si. Bem sei que com este coro criamos desde o pequeno umha aprendizagem individual e comunal, umha coesom social, umha pedagogia na convivência, um civismo, umha apertura cultural à arte, umha promoçom diferente a nível turístico, um achegamento ao património material e imaterial, um achegamento intergeneracional e mais e mais e mais. Desde as minhas entranhas amo cantar e, claro, fai-me bem como a qualquer pessoa, mas o activismo artístico, a política e a poética orgasmiza-me mais, salvo que tenha novas cançons para através delas, como canais, poda apuxar o mesmo ativismo político e poético. Nom é o caso, ainda. Agora, em pensamento e acçom, este é um projecto do continuum real de vida de dous artistas que sabem do morto significado etimológico primal da palavra cultura: o cultivo.

Nas chamadas recebidas por interesse real para a participaçom no coro falo-lhes diretamente um por umha com calma e firmeza para conhecer as ânsias, que é o que lhes move vir, por que som capazes de pagar por cantar e aprender em coletivo, lembro-lhes o que me lembra Lu todos os dias, que há que ter paciência imensa com o outro, e que cada dia é distinto e se nos vai das maos. Que ainda que nom cantem bem seguro que tenhem as suas capacidades vogais interessantes. E que umha das minhas funçons na vida agora sei que é ajudar a dar luz e estima ao talento quando o vejo. Integrar o melhor de cada um e fazer do coro (familia, comunidade, conjunto, grupo, tribo) umha conjunçom de vaga-lumes carregados de amor, vontade e bondade para intentar que a gente poda ser um pouco mais feliz à hora do cantar e do escuitar, sobretudo do escuitar. Porque a escuita de Lu é tam cheia de amplitude, virgindade e verdade que me abriu a caixa de pandora da inconsciente falsidade expressiva. Porque a escuita com Lua abriu-me o esplendor de todas as emoçons, vividas e nom fingidas. Porque a escuita de Lua é implacável, e cega.

Som tantos os estudos de neurociência, ou os artigos sobre plasticidade cerebral, corpo-mente, bem-estar pessoal, que colocam à música como um piar de saúde para o nosso corpo, quer dizer para o nosso cérebro, e som tantas as vozes intolerantes e irrespetosas com este ofício do cantar (pintar, recitar….) que na medida do possível quero cambiar o meu pequeno e miserável mundo.

Se tudo corre bem, comeremos e daremos de comer em Rinlo à gente que queira livremente cantar neste coro. Os sábados de 19:00 h. a 21:00 h. teremos as nossas juntanças, em princípio assim será.

A apresentaçom vai ser o dia 24 de outubro às 19:00 h. na Escola Vella de Rinlo e nom desbotamos a possibilidade de abrir portas a vozes de passo que venham doutros lugares longínquos que queiram estar, ser e exprimir-se com nós. Esperamos poder desfrutar da presença de outros mestres e artistas que nos visitem para si ou si abraçar-se na arte sonora do cantar em movimento.

Começaremos propondo cançons das que gosta Lua, com as que podemos trabalhar os arranjos com ela pola semana no estudo da casa. Logo quereríamos atender às propostas dos participantes. Já veremos como fazer entom com Lu :-)

Entre as eleitas por ela, por nós, um pequeno alalá que canta Amancio Prada, umha cançom muito própria para Rinlo por ter peirao, hortos esquisitamente cuidados:

Pola mañá cando os galos cantan os mariñeiros van para o mar, as redadeiras quedan no muelle e os labregos van labrar.

E entre outras também tá a cançom cantábrica “Chalaneiro”, gravada com Chouteira no 1997, ou umha versom que fixo um vizinho sobre a cançom de Abba “I have a dream”.

Aguardamos que o 24 de Outubro às 19:00 h. na Escola Velha de Rinlo podamos começar umha nova etapa na primeira apresentaçom do Coro da Marinha.

NOTA: Foto de Lu e Pierre em direçcom ao lavadeiro de Rinlo ao pé do mar, cumha ressonância especial para cantar a capella.

Sobre o autor / a autora

Ugia Pedreira

Ugia Pedreira

(Galiza)

Sem comentários

Ainda não há comentários

Ninguém deixou um comentário para este post ainda!

ESCREVA UM COMENTÁRIO SOBRE ESTE POST

Escrever um comentário 

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *