Jhanas

Jhanas

0 comentários 🕔11:30, 05.Nov 2015

“Quando os ouvidos do discípulo estão preparados para ouvir, então vêm os lábios para os encher com Sabedoria.” (O Livro do Caibalion)

Calor e frio têm entre eles tão só
nos degraus seu apelido:
o gélido pode ser quente,
o que queima sustentar
umas mãos demasiado frias.
E a espada que degola tua aorta
pelo teu mesmo coração brandida

Todo está dentro,
não adivinhas?
O malfeitor foi à vez
o adulador da tua psique.
Ainda não percebeste:
nisso este mundo consiste…
com a cobiça e a confiança tua inocência
em seu beneficio dominam

Antes de começar a bater-te
ele, primeiro, controlou tua angústia:
os pensamentos que nasceram dentro de ti
sempre de temor, por sua culpa:
giram e giram dentro da tua dança espúria…

Chegaste a pensar que nada merecias?
Dentro das fibras do teu coração o escuro aninha.
Pelas veias duas gotas de luz ainda ambíguas…

(Para submeter um corpo é precisa toda a violência!
Ele é fraco de corpo. Bruto no impulso.)

Como uma alma se entrega a tortura?
Aquele que superou desamor
recebe os preceitos da ida:
com ela o engano tornou artifício.

Cada verdade sua falsidade encerra,
cada experiência
por um diverso caminho
íntima se realiza.

Daí foi para ti fácil decifrar
do axioma os paradoxos equívocos:
ele partindo-te a coxa com a perna, sua;
com o sorriso pedindo, a plateia,
hipócritas desculpas.
Tudo muito carnal. Alquímico!

- Sou Filho do transtorno
que no extremo habita…
Minha mãe não me quer amamentar,
meu pai nunca deixou de beber sozinho…
Batia-me. Abateu-se e abatiu-me
(não acredites!)…

Encontram com este argumento
apetecíveis as carnes submisas…
Os bestas de sêmen tuas nalgas,
com eles, enchem…
E Deus onde ele está?
Dentro da alma que ainda resiste…
Nunca te entregues… Filhinha!

O medo volta a falar:
por muito que corras ele sempre alcança
tua fugida, sapato e vestido.

Fico calada, encolho a barriga,
a fúria do senhor desce às pancadas repetitiva
enquanto eu ainda na dor,
adormeço já passiva.
No sonho experimenta-se
de longe algum alívio.
(Deixo meu corpo no local,
a hora certa, no luar preciso.
Ao astral viajo com o espírito)
Quem me ia dizer
quanto esta morte, agora, significa… Dignifica?

Podem-nos matar,
jamais conqusitar nosso espírito…
A terra sobre a que eu pisava
também, há séculos, fora vendida….

Deus é amor
Deixo-me entregue, remover no infinito.
Desde o amor a um ventre cheguei
pelo amor no outro ventre me enfio

Chego a contemplar.
Reparo, com certeza respiro:
O universo também é um útero…
Condensa toda luz.
E toda a energia…

Sobre o autor / a autora

Artur Alonso Novelhe

Artur Alonso Novelhe

(Galiza)

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