Crianças de Moçambique (6/12)

0 comentários 🕔11:45, 04.Jan 2016

Na minha visita ao Hospital Provincial de Quelimane, na mesma entrada, vi uma cena que me deixou muito magoado, arrepiado! Uma imagem brutal que nos faz meditar sobre o que se passa na África toda, com tantas doenças e com poucos médios para erradicar uma das mortíferas pestilências como é a SIDA. Na entrada do referido Hospital estava tombada, sobre um mísero tabuleiro, uma menina que aparentava não mais de quinze anos, a espera de ser acomodada num colchão vazio dentro do Hospital. Sobre as suas costas estava a dormir o seu filho de poucos meses de idade, sustentado pela capulana (lenço que serve para atar as crianças). Estava debruçada sobre umas chinelas de plástico barato, única riqueza material que ela tinha. Dois seres sozinhos à espera de serem internados numa das residências de saúde mais saturadas de Moçambique. Esse quadro tão surrealista repete-se em tantos lugares de África que esperam a dádiva dos países ricos, mas nada chega e nada inquieta. O Hospital Provincial de Quelimane abre ferida na nossa consciência, mas esta não acorda, sempre a dormir e a sonhar com outros interesses. Ninguém sente o pavor de milhares de vítimas despossuídas e insuladas por esta fatal doença. Para elas a palavra irmão não existe. Nada sei desta criança e de seu filho, mas os dois fazem batucada no meu coração.

Sobre o autor / a autora

Xosé Lois García

Xosé Lois García

(Galiza-Catalunha) Nascido na Galiza, Xosé Lois García é formado em Geografia e História pela Universidade de Barcelona (Catalunha), cidade onde atualmente vive e trabalha. Articulista, ensaísta, conferencista, tradutor e poeta, é considerado uma das mais importantes vozes da poesia galega contemporânea. Publicou na Espanha antologias da poesia galega, portuguesa, brasileira, angolana e moçambicana, entre outras, além de importantes estudos sobre a simbologia do românico em Portugal e Galiza. Tem vários poemários, dentre os quais se destaca “Tempo precario”, no qual o autor dá voz a seu heterônimo, Pero Bernal, trovador galaico-português.

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