Três poemas

Três poemas

2 comentários 🕔11:46, 07.Jan 2016

Vozes de algumas vezes

Meu poema não é medido.
É dor branda num coração sentido.
É o clarão da chama
Que queima a alma daquele que o dita.

Oh! O lirismo me possui
Como o vento possui a pipa
Que repousa, pálida, no princípio
Da pálpebra e reduz o pensamento.

As vozes que me falam
Falam, afinal, a todos,
Mas meu verso não repete as vozes que
Ouço, exprime o que minha alma reflete.

Se meu mundo fosse feito de mais paixões,
Talvez minha alma começasse
A soltar seus horrores
Para, conseguintemente,
Viver seus eternos amores.

Pois, mesmo que vozes digam
Que o caminho está construído,
O verdadeiro sentido da vida na verdade
Está guardado no garrido Tutano da existência.

***

Pensamentos da madrugada

Oh, Lua amarela!
Que o brilho que refletes
Banhe não apenas a mim,
Mas banhe também minha doce donzela,

A única que me entorpece ao sorrir
E me toma a mim com apenas um olhar,
Com seus olhos garridos a me florir
O peito e me embebedar.

Bêbado de paixão,
Embriagado de sentimentos,
Ébrio de te olhar.

Mas não cante, minha guria,
Não fale nem ria,
Para que não provoque
Meu pobre coração.

Apenas deixe que a Lua te toque
E, ainda que sozinha,
Há de sentir que contigo estou
Por inteiro e, em mim, em pedaços.

***

O pássaro azul

A Moça se sentou num empoeirado
Banco da Praça da Liberdade
E pensou na felicidade de poder
Ver o quão linda a vida é.
Ela era mais uma apaixonada.

Trazia na mão obras de Drummond e Neruda
E folhas com desenhos avulsos.
Quando se preparou para abrir uma obra,
Um pássaro azul, ao seu lado, pousou.
Ela olhou a bela ave, que cantou

Um canto poético que a lembrou
A obra de Chico e o vento soprou
Seus cabelos, fazendo-a sentir
A doce presença de Deus.
Ela não era igual a outras meninas,

Ela era Diferente.
Ela era capaz de fazer versos
Com as coisas mais simples que
A vida nos oferece, como se
Fizesse um lamento para

Deus abençoar os dias humanos.
Ela continuou olhando a ave,
Então tirou um lápis do bolso
E começou a desenhá-la num
Papel em branco. Ao primeiro risco,

Mais uma vez o vento bateu e
A folha saiu do lugar,
Juntamente com a ave,
Que começou a se aproximar.
E então a Moça sorriu

Um sorriso nobre e brilhante,
Que aos meus olhos era apaixonante.
Ela fez uns rápidos rabiscos e terminou
A ave, apenas em grafite preto,
E então a ave pousou em sua mão.

De repente, a Moça se surpreendeu
E quase ao chão a ave foi
Com o pulo que a Moça deu.
Mas logo a segurou e então a acarinhou.
A ave parecia amar a apaixonante poetisa.

A vida parecia perfeita.
Sol, natureza, poemas e a grandiosa Alteza
Divina presente através da bela princesa.
A princesa não tinha coroa, mas tinha fidalguia,
Pois era divinamente amiga da poesia.

Seus gestos eram poéticos,
Seus versos faziam qualquer ser humano
Sentir seu doce amor e pensar, sonhando,
Como seria o mundo se todas fossem como ela,
A misteriosa, romântica e amável donzela.

Ela se levantou, já quase no fim da tarde,
Com o pássaro pousado na ponta do dedo
E então ele voou alegremente, deixando
Uma pena azul cair aos pés da Moça,
Que sorriu novamente e voltou para casa.

Mas a Moça não sabia que me metamorfoseei
Em pássaro para pousar em seu pensamento
E fazê-la saber, em mais um momento,
Que ela sempre estará guardada em meu sentimento
Trazendo-me a poesia que me leva ao renascimento.

Sobre o autor / a autora

Ronaldo Júnior

Ronaldo Júnior

(Brasil) De Rio de Janeiro. Bacharelando em Direito e escritor acadêmico da Academia Pedralva Letras e Artes, de Campos de Goytacazes-RJ.

2 comentários

  1. 🕔 15:57, 09.Jan 2016

    Chicao das Couves

    Fraquinho, fraquinho… Vagidos supostamente líricos, nos quais se amontoam clichês e um sentimentalismo retrógrado e esteticamente duvidoso. Poesia bacharelesca, com empostação retórica característica e escolhas léxicas tão óbvias que chegam a ser constrangedoras.

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    • 🕔 17:12, 09.Jan 2016

      Alfredo Ferreiro

      Acho o comentário seu rijo de mais para dar tão pouco argumento. Se calhar podia nos ilustrar com um poema que não cai nesses erros. Do diálogo, mais do que da desqualificação bizarra, é que aprendemos a maioria.
      Sei que o meio favorece estas atitudes, não o culpo, mas a gente tem o seu coraçãozinho. Se desse chaves respeitosas para a melhora todos havíamos agradecer.

      Responder comentário

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