Crianças de Moçambique (8/12)

0 comentários 🕔12:30, 11.Jan 2016

Ficaram sozinhos! Os seus progenitores os amortalhou a SIDA, em precárias turbulências. Porém, eles levam os retrovírus VIH, que mastiga seus glóbulos. Eles a reagir pacientemente o lado escuro da sua doença. La estavam na “Casa Esperança”, recolhidos coa doçura que a orfandade merece. Lá estavam mergulhados na sensibilidade de amparar-se em grupo. Os vi solenemente carinhosos, atentos à palavra deste branco que lhes falava e, também, aos gestos. O ambiente na “Casa Esperança” era muito ótimo por parte das cuidadoras. Os garotos sentiam-se integrados e contentes, alheios a suas doenças e a seu fatal destino. Me senti muito comovido pela criancinha mais nova que lá estava, não deixava de seguir-me e de apanhar-me pelas calças. Depois fomos de mãos dadas por aquele amplo e limpo espaço, onde eles possuem os seus brinquedos e uma espaçosa sala de refeições. Na despedida, o miúdo mirou-me com olhada profunda… Melhor não esclarecer o que ele pensava.

Sobre o autor / a autora

Xosé Lois García

Xosé Lois García

(Galiza-Catalunha) Nascido na Galiza, Xosé Lois García é formado em Geografia e História pela Universidade de Barcelona (Catalunha), cidade onde atualmente vive e trabalha. Articulista, ensaísta, conferencista, tradutor e poeta, é considerado uma das mais importantes vozes da poesia galega contemporânea. Publicou na Espanha antologias da poesia galega, portuguesa, brasileira, angolana e moçambicana, entre outras, além de importantes estudos sobre a simbologia do românico em Portugal e Galiza. Tem vários poemários, dentre os quais se destaca “Tempo precario”, no qual o autor dá voz a seu heterônimo, Pero Bernal, trovador galaico-português.

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