Crianças de Moçambique (11/12)

0 comentários 🕔11:45, 21.Jan 2016

Gosto de olhar as crianças quando elas se param e concentram as suas retinas em meus gestos andares. Com esse olhar concêntrico e abrasador, fico muito contente só com o “bom dia” que refaz conversa. Iam para a escola do subúrbio, agasalhando conversa entre elas. A solidariedade manifesta-se em essa andada sem preguiça quando percorrem longos caminhos de dez ou quinze quilômetros para chegar à escola. A fatídica vida das crianças no universo moçambicano é muito complicada. Quando miro a estas figuras heroicas que crescem subordinadas aos trabalhos duros de ir à procura de água potável a muitos quilómetros de longitude. Lembro-me da poeta e saudosa amiga, Noémia de Sousa, quando falava das crianças de Moçambique, no poema, “Moças das Docas”: “De mãos ávidas e vazias, / de ancas bamboleantes lâmpadas vermelhas se acendendo, / de corações amarrados de repulsa, / descemos atraídas pelas luzes da cidade, / acenando convites aliciantes / como sinais luminosos na noite”.

Sobre o autor / a autora

Xosé Lois García

Xosé Lois García

(Galiza-Catalunha)

Sem comentários

Ainda não há comentários

Ninguém deixou um comentário para este post ainda!

ESCREVA UM COMENTÁRIO SOBRE ESTE POST

Escrever um comentário 

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *