Entrevista ao fotógrafo galego Alberto Pombo

Entrevista ao fotógrafo galego Alberto Pombo

0 comentários 🕔14:00, 28.Jan 2016

- Palavra Comum: Que é para ti a fotografia?

- Alberto Pombo: Tal que a música, ou a literatura, apenas outra ferramenta de expressom. No meu caso, a forma mais honesta com a que tenho conseguido comunicar-me até o de hoje.

- Palavra Comum: Como entendes e realizas, no teu caso, o processo de criação cultural e artística (fotografia, música, etc.)?

- Alberto Pombo: O processo criativo de cada um depende dos seus factores. No meu, deveria separar o individual e o colectivo. No plano musical, até o de hoje colectivo, a nossa intençom através dos Avante tinha a finalidade de projetar umha mensagem política e preencher um vazio que existia, julgávamos, na música galega.

Quanto à fotografia, trabalho individual no meu caso, houvo sempre umha intençom de expressom íntima e primária.

- Palavra Comum: Qual consideras que é a relação -ou qual deveria ser- entre a fotografia e outras artes?

- Alberto Pombo: Penso que as artes tenhem capacidade para serem autónomas e, quando se misturam, podem cair no risco de terminarem ocupando lugares de subordinaçom.

- Palavra Comum: Que referentes (estilos, criador@s, etc., num sentido amplo) tens no teu trabalho criativo?

- Alberto Pombo: À minha volta comparto dias com fotógrafos de mais que reconhecido prestígio polos que me deixo contaminar. Falo de Vari Caramés, Luís Botana, Yorgos Karailías, Alfonso Rego ou Simone Maestra, entre muitos muitos outros. Noutro plano, interessa-me amplamente o trabalho que tenhem desenvolvido fotógrafas como Nan Goldin, Elinor Carucci ou Rita Lino, e fotógrafos como Antoine D’Agatá, Jacob Aue Sobol, Daido Moriyama, Michael Ackerman ou Paolo Nozolino.

- Palavra Comum: Que caminhos entendes seria interessante transitar nas artes, nomeadamente na comunicação com o público e a sociedade hoje?

- Alberto Pombo: A arte tem que sair das margens que historicamente a sitiárom. Democratizar-se e, em consequência, ampliar horizontes. No que diz respeito do campo da divulgaçom entendo que a figura do intermediário entre artista e público deve ser reconvertida, sendo que hoje contamos com ferramentas para isto. Neste sentido tenho orgulho em ter participado na criaçom da Sala Sal, primeira galeria da Corunha especializada em fotografia e que tem um trato equânime para todas as partes envolvidas.

- Palavra Comum: Como seria a Galiza imaginária em que te sentisses plenamente cômodo, e que há dela na actualidade?

- Alberto Pombo: A minha Galiza imaginária deveria ser feminista e eliminar, a todos os níveis, qualquer margem de constriçom e opressom.

- Palavra Comum: És fundador da Linda Rama, fala-nos dela.. Que distância há entre o previsto e o experimentado realmente? Qual é o percurso que quereis dar-lhe?

- Alberto Pombo: A Linda Rama é um bar virado para o mundo da noite, umha livraria, umha galeria e, com certeza, muito mais. As expectativas fôrom largamente superadas através do que nos demos em chamar ‘A família’, isto é, o colectivo de criadoras e artistas que terminárom por se envolver no projeto e que ajudárom a dar-lhe a forma que hoje tem. Penso em Marcos Ferreiro, Chema Cañas, Paula Fraile, Caxoto Cativo, Ramón Astray ou Yolanda Castaño, entre muitos e muitas outras.

Temos umha programaçom que superou as 80 atividades no passado ano num bairro da cidade tam histórico como esquecido e que contou com exposiçons, cineclube, apresentaçons, concertos, colóquios, encontros, representaçons teatrais e um ainda longínquo et cetera.

- Palavra Comum: Que projetos tens e quais gostarias chegar a desenvolver?

- Alberto Pombo: Atualmente desenvolvo vários a um tempo. Estou tentando terminar a minha tese de doutoramento que versa sobre literatura galega dos anos 50, nomeadamente poesia, assim como outros trabalhos relacionados com a minha formaçom filológica.

Noutra ordem de cousas está todo o que se desenvolve através da Sala Sal e da Linda Rama, onde entre outras funçons menos lúdicas também levo a gestom cultural.

Já no campo que preenche esta entrevista, tenho abertos dous projetos fotográficos de autor. De uma parte estou tentando fechar o Negrume que me ocupa desde o ano 2013 e, de outra, dando forma a um novo projeto do que, espero, darei notícias em breve.

- Palavra Comum: Que achas de Palavra Comum? Que gostarias de ver também aqui?

- Alberto Pombo: Acho que é umha óptima ferramenta para tender pontes e, humildemente, dou-vos parabéns sinceros por todo este trabalho militante.

Sobre o autor:

Alberto Pombo (Loureda, 1985) é fotógrafo e Licenciado em Filologia Galega com Mestrado em Ensino de Línguas pola Universidade da Corunha. Exerceu a docência como professor de História da Galiza e de Literatura Galega na Universidade da Estremadura onde também se ocupou da gestom cultural do Centro de Estudos Galegos da mesma universidade até 2014.

Após ter trabalhado em imprensa física e digital, em 2010 participa no nascimento do portal de notícias Diário Liberdade junto com Diego Bernal e Maurício Castro. Já no 2014 funda a Linda Rama e em 2015 a Sala Sal, primeiro café-livraria e primeira galeria especializada em fotografia da Corunha.

Neste campo tem também publicado o livro Autorretrato (Amor de Madre, 2014) e realizado diversas exposiçons individuais e colectivas dentro e fora do marco galego.

Web: www.albertopombo.com

Sobre o autor / a autora

Ramiro Torres

Ramiro Torres

(Galiza) Ramiro Torres nasceu na Corunha no 1973 e estudou Graduado Social. Tem publicado poemas na revista 'Poseidónia' e 'Agália', assim como no blogues 'A fábrica' e 'A fábrica da preguiça'. Inaugurou as edições do Grupo Surrealista Galego com o seu livro "Esplendor Arcano".

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