Vidoiros II

Vidoiros II

0 comentários 🕔11:10, 11.Fev 2016

Vidoiro” é a última obra publicada até agora de Neno Escuro, autor tanto da música como das imagens. Nas suas palavras, trata-se de “um projeto de experimentação sonora e visual enraizado na procura de uma linguagem híbrida entre os dois âmbitos, mas que se abre também ao campo literário —especialmente o poético—, e se concretiza na criação de peças visuais, sonoras, concertos performáticos, projeções e visuais ao vivo.”
Na Palavra Comum, sempre aberta aos novos caminhos que aparecem sem cessar, encontramos nesta obra um intenso motivo de diálogo com a poesia e as artes. Trás a publicação da primeira parte, damos a conhecer a segunda, com textos criados explicitamente para “Vidoiro” por Pedro Casteleiro, Eugénio Outeiro, Baldo Ramos, e as fotografias de Manuel Lestón.
Vai o nosso agradecimento expresso a Neno Escuro por permitir a reprodução desta sua obra aqui e por facilitar estes diálogos que, talvez, nos transportem para um outro lugar já existente desde sempre à nossa volta. E, evidentemente, animamos ao público a conhecer as demais obras deste autor publicadas até agora, tão prezadas para nós!

*

PEDRO CASTELEIRO

Antes dos nomes

Eras, minha senhora, um jardim em inverno
anterior ao tempo.
Os passos em silêncio, as tuas mãos em coma.

As tâmaras negadas a pássaros sem nome.

As fontes da fome.

Levantado o teu desejo
de vento sobre o meu
desejo.
E as tâmaras do teu silêncio
germinando-me no centro.

*

EUGÉNIO OUTEIRO

VIDOIRO

é a nuvem que se pensa nos teus olhos
respirando rochas
aaaaaaaaaaaa mas tu não penses, deixa
que o vento traga a água nas narinas
e não pisques os olhos
aaaaaaaaaaaa (já piscaste
mas não importa)

também é o pinheiro que se observa nos teus olhos
aaaaaa e tu deixaste o mar nalgum lugar do mundo
areia
aaaaaa como dentro do peito
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa a nuvem
a adentrar­se nos olhos
aaaaaaaaaaaaaaaaaa e tu
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa e a nuvem
sem grande diferença
aaaaaaaaaaaaaaaaaa (os olhos piscam)

alguma luz semeia
aaaaaa lembranças monumentais
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa e nuvem

deixaste o mar mas arrastaste o ilhote para dentro
aaaaaa sem rasto de areia
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa a nuvem traz a rocha
aaaaaa é ghidoiros
aaaaaaaaaaaa ou rua
aaaaaa (fechaste os olhos
aaaaaaaaaaaaaaaaaaa e lá estão)

mas a nuvem não tem nomes
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa é a mãe do verbo
aaaaaa e a rocha não tem verbo
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa também não tu

deita-­te na consciência e simplesmente observa

essa paisagem é anterior ao mundo

*

BALDO RAMOS

río shakuhachi

superponse a néboa coas palabras

cobra de silencio furando nas membranas do bambú

a luz apenas dubida

o encontro coa transparencia
fainos visíbeis

escoito a ausencia dese lado da vertixe

onde se retorce o tempo

*

MANUEL LESTÓN

Monte Dordo. 2011
Porto do Son
Cabalos na néboa.

Manuel Lestón Cabalos na néboa 1

Manuel Lestón Cabalos na néboa 2

Manuel Lestón Árbore de néboa

Sem comentários

Ainda não há comentários

Ninguém deixou um comentário para este post ainda!

ESCREVA UM COMENTÁRIO SOBRE ESTE POST

Escrever um comentário 

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *