Linha de poemas sem linhas (iii)

0 comentários 🕔11:00, 28.Mar 2016

Saltam faúlhas…
para os olhos? não, meu bem:
saltam-me faúlhas dos olhos.
Grito: “fogo” – todos no chão venerando o inexistente –
e acho piada a todos os vocábulos começados por “a”.

Incendeio os caminhos,
apenas para aprender a andar de cabeça erguida…
de súbito, encontro a verdade
em todos os versos começados
com a palavra “tudo”
em todos os poemas com esses versos
acabados com um enorme ponto de interrogação

para os olhos? não te trouxe nada para os olhos:
tenho umas luvas de luz que te podem cegar
basta descer esta mão ao nexo de tudo, lá em baixo,
bem lá no fundo da terra, na poeira de ontem,
contar até ao último dia de 1987
e aceitar a faúlha

e agora é tudo luz
quando se apagaram as de baixo
resta o silêncio e o caos da quietude
para entrar noutro lado onde só os olhos podem não ser
lá em baixo
nada de tudo

Sobre o autor / a autora

João Sousa

João Sousa

(Portugal) Redactor, produtor, director, editor e músico na empresa A Besta, Músico na empresa a-nimal e Músico na empresa O Poema (A)Corda

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