<em>Do canto à escrita: novas questões em torno da Lírica Galego-Portuguesa – Nos cem anos do Pergaminho Vindel</em>, por Graça Videira Lopes

Do canto à escrita: novas questões em torno da Lírica Galego-Portuguesa – Nos cem anos do Pergaminho Vindel, por Graça Videira Lopes

0 comentários 🕔10:50, 21.Abr 2016

Do canto à escrita: novas questões em torno da Lírica Galego-Portuguesa – Nos cem anos do Pergaminho Vindel, Graça Videira Lopes e Manuel Pedro Ferreira (eds.), IEM – Instituto de Estudos Medievais / CESEM – Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical, Lisboa 2016.

A poesia lírica galego-portuguesa, nascida e cultivada em berço musical, foi redescoberta em tempos modernos através de cópias renascentistas de um extenso cancioneiro medieval, aos quais se veio adicionar o antigo Cancioneiro da Ajuda, deixado incompleto. Os poemas surgiam-nos assim órfãos de música, embora a sua designação – cantares, cantigas – denunciasse, desde logo, tratar-se de letras de canção. A situação mudou em 1914/1915 com o anúncio da descoberta de um pergaminho contendo notação musical para seis cantigas de amigo, e sua publicação pelo livreiro madrileno Pedro Vindel. Um século depois, essas cantigas, atribuídas a Martim Codax, fazem parte do repertório de grande parte dos grupos que, por todo o mundo, se dedicam à música medieval, colhendo o aplauso de audiências cada vez mais vastas, e a sua interpretação continua a suscitar viva discussão académica.

Impunha-se pois Graça Videira Lopes Do canto à escritacomemorar o centenário do achamento do Pergaminho Vindel com um colóquio internacional, realizado em Lisboa a 16 de Outubro de 2014, com a presença de reputados especialistas; evento cujas comunicações serviram de base ao presente livro. Nesse encontro falou-se não apenas do Pergaminho (rolo? folha de um perdido códice? pergunta Manuel Pedro Ferreira) e das cantigas que contém (formam ou não um ciclo? pergunta Xosé Ramón Pena), de Martim Codax e do seu contexto peninsular e internacional (que relação têm as Ondas do mar de Vigo de Codax com as Altas Undas do célebre provençal Raimbaut de Vaqueiras? pergunto eu), mas também, entre outros temas, do rasto que a música e a dança deixaram no lai, o género a que pertencem as composições que abrem o Cancioneiro da Biblioteca Nacional (como fazem Yara Frateschi e Maria Ana Ramos); da natureza métrica das cantigas de amigo (Stephen Parkinson, em visão contrastada com as Cantigas de Santa Maria, de que é um dos grandes especialistas); da sua influência literária moderna (na visão informada e abrangente de Carlos Paulo Martínez Pereiro); do Pergaminho Sharrer, que muito mais recentemente nos permitiu conhecer a música de sete cantigas de amor de D. Dinis (cujos textos são estudados por Letícia Eirin) e finalmente da excelente mas pouco conhecida escola siciliana reunida em torno do imperador Frederico II (apresentada e discutida por Manuele Masini e Gianfranco Ferraro, que acrescentam ainda uma breve e inédita antologia em edição bilingue).

Como organizadores do encontro, foi com prazer que tanto eu como o Manuel Pedro Ferreira registámos a qualidade e a novidade dos contributos individuais aí apresentados, bem como a riqueza do debate realizado, que foi tido em conta na redação final dos textos agora impressos. Como escreve Nuno Júdice no pequeno texto de apresentação: “São muitas e diversas, em conclusão, as perspetivas que se abrem nesta obra. Mas o que é surpreendente é ver como um conjunto tão pequeno de cantigas pode sugerir tão amplas leituras e obrigar-nos a reflectir novos rumos de interpretação e também a comprovar que nada está fechado quando abrimos o nosso Cancioneiro galego-português”.

Graça Videira Lopes

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