<em>“El cielo de Medellín” pode ter a receita para a paz</em>, por Adrián Magro

“El cielo de Medellín” pode ter a receita para a paz, por Adrián Magro

0 comentários 🕔10:40, 21.Abr 2016

El cielo de Medellín” (“O céu de Medellín”) é um dos 50 melhores restaurantes de Latino-americana, mas não é só o isso o que faz especial a sua cozinha. Já há 8 anos que oferece formação e emprego a veteranos do exercito feridos e agora vem de alargar esta oferta a ex-combatentes rebeldes.

“O futuro contratante sempre quer saber da sua experiência, se tem recomendações, e como ex-rebelde a resposta não é fácil, mas aqui não preciso de esconder a verdade.”

Nora fugiu das FARC após 4 anos, mas nunca conseguiu recuperar-se totalmente. Deixou a sua vila natal após receber ameaças e ficou sem hipótese de apanhar um emprego com o que poder alimentar os seus filhos.

Quando uma agência do governo a pôs em contato com “El cielo de Medellín” ela ficou inquieta face a ideia de trabalhar em um restaurante “foodie” e ficou com medo de trabalhar lado a lado com os que foram os seus inimigos.

“Quando o vi por primeira vez senti um arrepio, não sabia como é que ele ia reagir, mas esse dia falamos e chorei e desde então ele é o meu apoio aqui”.

O seu colega Rubén Romero perdeu o seu olho esquerdo e a sua perna direita numa explosão de uma mina das FARC.

“No primeiro instante reagi de jeito áspero, foi difícil para mim aceitar a ideia, mas partilhamos as nossas histórias e entendi que todos somos vitimas. Ajudou-me a continuar adiante e removeu um grande peso das minhas costas.”

Quando o restaurante foi fundado só empregava ex-combatentes do exército do governo, empregar pessoas da guerrilha foi um grande passo.

“Havia medo pela seguridade, pela opinião pública, etc., muitas coisas, mas finalmente decidimos que se não o fazemos nós, quem o vai fazer?” – comenta Juan Manuel Barrientos, Chef do restaurante.

A cozinha do “El cielo de Medellín” pode ser um grande passo de Colômbia para deixar atrás o seu conflito. Mas convencer empreendedores a fazerem parte de programas como este continua a ser uma dura batalha.

Miguel Suárez, da Agência Colombiana para a Reintegração, diz que a metade dos empreendedores nunca contrataria um ex-combatente:

“Temos um problema de estigmatização. Não é avondo que o governo crie oportunidades ou que exista um programa de formação e que elas mostrem responsabilidade se no momento em que saem do processo têm de fazer parte de uma sociedade que não está preparada para os receber.”

Em “El cielo” os trabalhadores sabem que décadas de medo e desconfiança não vão ir embora por um restaurante, mas acham que pode ter a chave para a reconciliação”.

NOTA: o artigo é a tradução de um vídeo de Al Jazeera sobre um restaurante de Medellín que emprega a combatentes do exército governamental e do exército das FARC.

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