Atmosferas

Atmosferas

0 comentários 🕔12:15, 28.Abr 2016

Atmosfera” é uma das obras da compositora musical galega Aida Saco Beiroa.

Na Palavra Comum encontramos nela um intenso motivo de diálogo com as artes, com o que publicamos aqui os poemas inéditos de Pedro Casteleiro, María José Fernández López, Xosé Iglesias e Ramiro Torres, junto ás também inéditas fotografias de Manuel Lestón e esta obra de Mónica Montero Parcero.

Enviamos o nosso agradecimento a Aida Saco Beiroa por todo o seu talento, ao tempo que animamos ao público a conhecer o resto da sua obra publicada até agora, tão necessária como irradiante!

*

PEDRO CASTELEIRO

Trovão e Silêncio

A partir de um silêncio
mais velho que a atmosfera
convoco as aves dos teus dedos,
os músculos da tua voz,

para que venham todas redemoinhar
por sobre o coração
-essa praia que espera a tua luz a tua lua nova-
pátria verdadeira que nos acompanha nas viagens.

Por sobre a tua voz eu deixo meu silêncio
por sobre a boca
dos pianos abandono
este trovão.

*

MANUEL LESTÓN

Manuel Lestón atmos5

*

MARÍA JOSÉ FERNÁNDEZ LÓPEZ

Sei das sete garzas brancas
acróbatas no silencio da materia
Entón, por que me pides que respire
coa estabilidade dos gases inertes?
Non sentes
a dor primeira da danza
neste crisol de moléculas orfas?
E ó mellor se non fosemos vulnerables
como a auga na area
se non rachásemos
como a fe no espello da desesperanza
podería navegar esta atmosfera
cos pulmóns secos
Mais dixen que non, amor,
escollín o insomnio,
somos cinsa de astros extintos
e non vou afogar a inocencia
na densa felicidade dos covardes

*

MANUEL LESTÓN

Manuel Lestón atmos3

*

XOSÉ IGLESIAS

Osíxeno, marcación do sangue
Estrada do alimento primitivo
Policromía do abismo
Mans do vento minúsculo
Corredoiras de abatemento
Notas que rozan as isóbaras
Palabra do son
Mercurio de átomos en gravidade cero
Musculatura do peito
Declinación do gas cara o ocaso
Momento final no intre de nacer
Obertura da vida

*

MÓNICA MONTERO PARCERO

LUZ ABISAL

Mónica Montero Parcero Luz abisal

*

RAMIRO TORRES

Pousamos as mãos
no espessor intacto
de um mar nocturno
a avançar nos corpos,
retraindo-nos para
a obscuridade fértil
de um conhecimento
anterior às palavras:
socavamos no invisível
os nomes encriptados
deste fluxo imemorial,
enquanto desnudamos
a consciência e ardemos
na certeza abissal da luz.

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