Linha de poemas sem linhas (vii) – Conclusão

0 comentários 🕔10:00, 02.Mai 2016

Nunca fui gajo de querer insígnias. Carreguei alguns símbolos às costas, alguns remendos nas calças com letras, alguns pedaços de ferro atados aos coletes e aos casacos. Mas insígnias… não que me lembre. Nunca fui um poeta. Nunca fui um músico. Mas sou um poeta e sou um músico.

Também não costumo gastar muito tempo a explicar o que faço. Não ter insígnias ou medalhas, faz com que não tenha que reportar a ninguém… Não tenho que bajular nem ser bajulado. Antes duas horas de uma chamada com Nuno Mangas-Viegas a falar sobre a criação, que um dia a ser pago para falar da geração, da revolução, da arte e dos artistas, das artistas e dos artifícios, das artificialidades. Não pago parar criar… raramente me pagam para o fazer…, mas, quando o fazem, raramente me pedem continuidade, ou compromisso, ou programa, ou símbolos, insígnias, medalhas, merdalhas, mortalhas, o que quiserem.

Dito isto… Linhas é um álbum de música electrónica que compus o ano passado e que lancei pelo grupo com que me envolvo, A Besta. E chama-se linhas por seguir, livremente, algumas linhas orientadoras, ou orientações por linha. Gosto de produzir segundo uma determinada linha de pensamento, de momento, de imagem ou de ideia. Linhas é apenas um álbum composto por linhas melódicas, padrões rítmicos… tudo com base em software open source, gratuito e em desenvolvimento. Sempre que um novo trabalho se gera (seja um projecto de música, um conjunto de poemas, uma série de fotografias), alguns se juntam a ele. Nunca existe uma Linha sozinha. Existem paralelas e perpendiculares e, por vezes, raios oblíquos que se lhe sobrepõe.

Colaborar com a Palavra Comum é para mim um concretizar de duas vontades: aproximar-me sempre que posso da Galiza; proliferar pelas mentes livres e libertadoras o resultado das minhas linhas, dos meus momentos, das minhas vontades. É sempre um ímpeto egoísta…, mas que concordaram que é talvez mais puro do que escrever a metro. Escrever por compromisso terá as suas belezas…, mas o meu senso estético não as encontra. Deverei ser eu o vesgo.

Sou amador porque amo o que faço. As fotografias que tiro são amadoras, os textos que eu escrevo são fruto de amar as palavras, as coisas que junto são a paixão pelo diálogo interno, subconsciente, sempre presente, codificado…

Depois de uma primeira série irregular, os Poemas de comboio, que já andavam espalhados por alguns suportes, começo a primeira parte de uma série que se quer longa e regular. Todas as segundas (as últimas seis com uma semana de intervalo) partilhei uma foto minha com poema meu, com maior ou menor relação. 6 poemas e 1 texto reflexivo… este.

A seguir virá nova linha de poemas com fotos… desta vez fotos de outros.

Sobre o autor / a autora

João Sousa

João Sousa

(Portugal) Redactor, produtor, director, editor e músico na empresa A Besta, Músico na empresa a-nimal e Músico na empresa O Poema (A)Corda

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