Nova linha de poemas sem linhas (II)

2 comentários 🕔10:00, 23.Mai 2016

Fotografia de Nuno Mangas-Viegas

os ciclos parecem sempre quadrados quando acabam
e os conceitos que restam parecerão preconceitos
há coisas que mudam nas estradas que ouvimos repletas
há pedras que saltam dos olhos que escutamos de perto…
pudesse a ternura ser a circunstância de sempre
sempre protegida das alterações químicas do ser
e o teu olho seria a liberdade da jaula
o grito da alma, a força de dentro expelida,
uma força primordial incapaz de se absorver na pele
das mulheres e dos homens
e se o agrilhoamento persiste
é dos mesmos homens e das mesmas mulheres
nunca desse olho, nunca de ti,
porque em ti habita um núcleo cósmico
que aos homens e mulheres escapa
vai escapando, tem vindo a escapar
a cada ciclo, a cada dia, a cada morte
a cada trago
por forma do arame farpado
rasgam-se as consciências
pelos olhos

Sobre o autor / a autora

João Sousa

João Sousa

(Portugal) Redactor, produtor, director, editor e músico na empresa A Besta, Músico na empresa a-nimal e Músico na empresa O Poema (A)Corda

2 comentários

  1. 🕔 21:37, 25.Mai 2016

    João Sousa

    Obrigado pelas palavras Gustavo.
    Muito obrigado.

    Responder comentário
  2. 🕔 8:35, 25.Mai 2016

    Gustavo García Roig

    Conmovedor poema que es libre a través de la mirada del alma

    Responder comentário

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