Inéditos de José Barcos

Inéditos de José Barcos

0 comentários 🕔09:00, 17.Nov 2016

TER DE TER SIDO

Vejo-me embrulhado
Em finas sedas
(Nobreza de tempos feitos)
Como se fora aquilo que já fui.

Neste ser de coisas idas,
Na solidão de nada ser,
Passeio ouros que não tenho
Na pura ilusão de tudo ter.

*

CANÇÃO PARA UM ANJO MEU PRIMO

Num Céu d’azuis,
Onde os sonhos
Sempre foram,
Havia um anjo
Que
Ainda teimava voar.
Cansado,
De ser Poder
E por muito ter de amar,
Fartou-se de tanto Ser
E quis deixar de voar.
Nos olhos já cansados d’azuis
E, farto de ser mandar,
Deixou as nuvens sorrir
E fez-se chuva a cantar.
Caiu na terra verde,
Despiu o manto d’arminho,
Tirou as asas de penas
Fez-se descalço e humano
E, feliz por ser cansado,
Fez marcar seu caminho.

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