Sobre o Encontro Minho-Galiza 2017, 1 de Abril, por Francisco Abrunhosa

Sobre o Encontro Minho-Galiza 2017, 1 de Abril, por Francisco Abrunhosa

4 comentários 🕔11:00, 23.Mar 2017

Realiza-se a 01 de abril de 2017 o III Encontro Minho-Galiza, desta vez no Auditório de Goián, em Tominho, na Galiza. Nesta edição o mote do debate será a música e as palavras que ela transporta para a interculturalidade e para a identidade da língua. Vai contar com a participação de representantes reconhecidos da intervenção, composição/interpretação musical popular e contemporânea de cada um dos países, entre outros: Pedro Abrunhosa e Ses (Maria Xosé Silvar).

O III Encontro irá desenrolar-se em dois painéis de debate, com convidados e moderadores (ver anexo): o da manhã incidirá sobre a música popular e tradicional; e o da tarde sobre a música contemporânea. Ao longo do dia haverá vários apontamentos musicais, a começar pela anfitriã Banda da Escola de Música de Goián, além de outras surpresas.

O objetivo dos mentores (1) do projeto cultural Encontro Minho-Galiza é o de provocar o contacto entre pessoas das duas regiões, a partir de um mote –o teatro, o cinema, a música…– que despolete o debate e contribua, por pouco que seja, para o reconhecimento mútuo. É que, se excetuarmos as ligações entre algumas populações raianas, persiste um atavismo, inculcado secularmente, na senda da política das “costas voltadas” entre os povos dos dois lados do rio Minho. Não admira, por isso, que ambos não se reconheçam como fazendo parte de um património cultural e linguístico que tem muito em comum, malgrado o pressintam sempre que se encontram.

É verdade que o contacto entre as gentes do Minho e da Galiza tem aumentado; que têm sido dados alguns passos institucionais nesse sentido, embora tímidos. Mas a consciência coletiva mantém-se ainda presa a estereótipos sedimentados; à sociedade civil cabe fazer algo mais para ultrapassá-los. E este Encontro tenta fazê-lo.

Nas edições anteriores:

O I Encontro aconteceu em Braga, com o apoio imediato do Centro de Estudos Galegos (CEG) da Universidade do Minho (UMinho) (2). Foi numa Oficina de Teatro Galego, que se reuniu, durante dois dias, no salão da Junta de Freguesia da Sé, um grupo de pessoas, à volta da palestra e oficina, prestada pela atriz e dramaturga galega Vanesa Sotelo. Do debate e dos exercícios teatrais, resultou o conhecimento dessas pessoas acerca da existência e da pujança do teatro na Galiza, assim o lançamento de pontes entre os presentes, incluindo a formadora, que perduram.

No II Encontro, realizado na Casa Museu de Monção, além do CEG, juntou-se à organização o Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura (MCAC) e o Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade (CECS) da UMinho (3). Aproximamo-nos do rio Minho, tentando atrair interessados de ambas as regiões. Desta vez discutimos o poder do cinema e do audiovisual na interculturalidade. Cerca de sessenta pessoas, onde não abundavam galegos ou galegas, ouviram e conversaram durante um dia, com Nelson Zagalo, investigador em Media Interativos, da UMinho; Manolo González, documentarista, da Associação Galega do Audiovisual; e com Diana Gonçalves, documentarista Luso-Galega. O resultado foi idêntico ao do Encontro anterior, só que um pouco mais consolidado e a pedir continuidade.

Daí que, nesta terceira edição, com a Música como tema, ousássemos dar mais um passo, seja na direção da Galiza, seja na escolha dos convidados. Mantendo o apoio das mesmas instituições da UMinho, assim como, desde sempre, da Xunta de Galícia e da Rádio Universitária do Minho, junta-se, pela segunda vez, a Radio Municipal de Tui e, este ano, o Concello de Tomiño e a Paróquia de Goián, que nos recebem gentilmente no seu auditório.

As expectativas acerca do contributo destes Encontros Minho-Galiza para o reconhecimento entre os povos das duas regiões são modestas. Pretendem ser apenas ser uma pequena semente, na convicção de que é possível mais se outros se lhe juntarem.

NOTAS
(1) Dois alunos da Universidade do Minho – Francisco Abrunhosa e Adriana Silvério – que em 2015, no âmbito da Licenciatura em Estudos Culturais, lançaram o projeto, nas aulas de Carlos Pazos Justo e de Fernando Groba Bouza, alunos que hoje estão no 2o ano do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura.
(2) Representado pelo Professor Pedro Dono e pelo Leitor Fernando Groba Bouza (Instituto de Letras e Ciências Humanas e Xunta de Galícia).
(3) Representados pelos Professores Albertino Gonçalves e Helena Pires (Instituto de Ciências Sociais).

flyer frente

flyer verso

4 comentários

  1. 🕔 23:46, 24.Mar 2017

    Fernanda Abreu

    Belíssima apresentação. Apelativo. Participantes de se lhe tirar o chapéu. Se pudesse, ia ao fim do mundo para os ouvir.. Temas muito interessantes para debate..Portugal/Galiza, que bela iniciativa.!

    Responder comentário
  2. 🕔 23:40, 24.Mar 2017

    Fan

    O post está muito bem apresentado e apelativo. Apetece mesmo participar. Ligação Minho-Galiza- que mais dizer?.

    Responder comentário

Escrever um comentário 

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *