“A língua da musa”

0 comentários 🕔09:30, 20.Abr 2017

Tradução: Vem o amigo F. D. e não ouve aquilo que não bem tenho para dizer-lhe. Meu amigo é surdo perante quem melhor devia é ficar mudo, o amigo que me queima e me arrasta por uma encosta fascinante que arde.

Meu amigo é fiel, mas eu nem sei a quem. Talvez a uma musa que me elude e me não concede uma baila, ninfeta decorosa que não quer dançar com velhos de corações artríticos e falsos.

Meu amigo conhece uma musa misteriosa que num lugar dança em que o tempo não corrompe nem o baile cansa. Meu amigo tem um poder estrangeiro que me assombra e lhe outorga forças estranhas, uma musa que me recusa, que nalgum lugar recôndito se abre como flor e oferece o seu fascínio, uma musa impenetrável, recôndita e próxima que me atrai até ao abandono, me faz caminhar ao luar e esquecer o lugar em que moro.

Meu amigo guarda um segredo profundo. Um segredo que não confessa para proteger de mim o mundo.

*

Nota: “A língua da musa” é uma visão de Alfredo Ferreiro. A sua tradução para o galego-português foi publicada no fanzine Azertyuiop (nº 105) em Janeiro de 2017.

Sobre o autor / a autora

Alfredo Ferreiro

Alfredo Ferreiro

(Galiza) Alfredo Ferreiro nasceu em 1969 na Corunha, onde estudou Filologia Hispânica. Pertence à Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega, à Associaçom Galega da Língua e ao Grupo Surrealista Galego. Tem participado desde os anos 90 em inúmeros recitais de poesia e colaborado em revistas galegas e portuguesas. Na atualidade trabalha como escritor e consultor tecno-cultural.

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