Mensagens de José António Lozano

🔍Leia o artigo completo A noite de Irene (5/5)

A noite de Irene (5/5)

0 comentários 🕔11:00, 11.Out 2017

V Noite Nos dias seguintes levou-se adiante o processo rápido da hibernação. Era necessário despertá-la num tempo não superior a uma semana, mas isto nunca chegou a suceder. Contrariamente a muitos outros casos, a reanimação não foi possível. Eva sofreu uma estranha comoção. O seu projeto tinha fracassado. A sua eficácia aparecia agora como um paradoxo. Não conseguia esquecer as palavras de Irene: não sabes quem és. Recorda. Para que fazes o que fazes? Eva experimentou por primeira vez

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🔍Leia o artigo completo A noite de Irene (4/5)

A noite de Irene (4/5)

0 comentários 🕔12:08, 04.Out 2017

IV Hibernação Irene estava preparada para passar á fase de hibernação induzida. Era uma fase breve, mas perigosa, pois significava adentrar-se na morte por um período curto, apenas uns dias, com o fim de proceder, por um lado, á cópia de toda a memória contida no cérebro e nas diferentes células e, por outro lado, proceder ás modificações génicas necessárias para a nova vida. Eva acompanhava-a com condescendência e amabilidade e Irene, em nenhum momento parecia incomodada pela

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🔍Leia o artigo completo A noite de Irene (3/5)

A noite de Irene (3/5)

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III (Interstício) Porque haveria um tempo para semear e recolher e um tempo para a união e um tempo para a separação Porque haveria um tempo para que o uno se desdobre E um tempo para que o duplo se reúna E haveria um tempo para além do tempo Um tempo para calar as palavras E um tempo para os gemidos E um tempo para os latidos E um tempo para a respiração Porque haveria um tempo para dizer as palavras, para a mais antiga franqueza que surge

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🔍Leia o artigo completo A noite de Irene (2/5)

A noite de Irene (2/5)

0 comentários 🕔12:03, 20.Set 2017

II Os ouriços Os ouriços cacho vinham aos milhares à praia perdida. As nuvens avermelhadas contemplavam a congregação fascinante. Era como uma cita oculta dos inumeráveis sonhos da aldeia. Cada ouriço era a expressão de um secreto anelo. Irene gostava de contemplar aquele espetáculo noturno. Quando havia lua cheia, a luz refletia-se nos seus espinhos a refulgir, um cintilar envolvente sobre a praia. Irene passeava-se descalça entre eles sem medo de que a pudessem mancar. Aqueles dias

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🔍Leia o artigo completo A noite de Irene (1/5)

A noite de Irene (1/5)

0 comentários 🕔11:54, 13.Set 2017

A Irene Nunca escribirei o seu nome porque nomear um segredo pode destruílo. Nunca direi onde está nin como chegar á praia dos ourizos cacho. (Séchu Sende, in Made in Galiza) Só no tempo se movem as palavras e a música; mas aquilo que vive pode morrer... Mas não a quietude do violino enquanto a nota dura, Não só isso senão a coexistência, Ou digamos que o fim precede ao começo, E o fim e o começo sempre têm estado aí, Antes do começo e trás

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🔍Leia o artigo completo <em>O Pranto da Estátua</em> por Khalillulah Khalili

Featured O Pranto da Estátua por Khalillulah Khalili

0 comentários 🕔10:30, 06.Abr 2017

Khalilulah Khalili (1907-1987) foi um dos grandes poetas afegãos do século vinte, pertencente à corrente sufi de pensamento e ação. Participou em diversos cargos políticos na época do rei Zaher Shah e sofreu o exílio quando a invasão soviética do Afeganistão. Foi embaixador na Arábia Saudita, no Iraque e nos EE.UU. Apresento aqui um poema (O pranto da Estátua) escrito em 1978, quando partiu da Alemanha para os EE.UU. O poema está escrito originariamente em

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Aula de filosofia

0 comentários 🕔11:00, 16.Fev 2017

Aos meus alunos. E contavam a cegueira de um pássaro nos corredores brancos os lírios dormidos na tua cabeça de infante e o tempo que passa. A aula que começa desde as côncavas naus de Homero e os teus olhos como numa galáxia distante. Ouvimos Parménides ou Anaxágoras ou Empédocles de Agrigento sim , Empédocles vibra em nós. Há um momento de silêncio e a filosofia é possível, justo quando o teu olhar está ausente a filosofia é possível quando as palavras chegam ao seu

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🔍Leia o artigo completo A casa arquetípica de Hirondina Joshua

New A casa arquetípica de Hirondina Joshua

1 comentário 🕔10:00, 06.Fev 2017

Recentemente foi publicada em Palavra Comum uma entrevista à jovem poeta moçambicana Hirondina Joshua, realizada por Ramiro Torres. Nela incluíam-se alguns dos poemas do seu primeiro livro: Os ângulos da casa. Gostei da entrevista e dos poemas de modo que decidi experimentar uma gravação declamada dos mesmos. A poesia de Hirondina pode parecer uma poesia mais para ser lida do que declamada. Obriga a um incerto mergulho interior, uma incerta meditação evocativa, cheia de ressonâncias

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🔍Leia o artigo completo O Limão de Chuang Tse

O Limão de Chuang Tse

0 comentários 🕔13:31, 18.Jul 2016

Mais uma vez o velho Chuang Tse se internava no bosque, silencioso e lento como um tigre dos tempos antigos. Fazia paragens no meio do caminho contemplando as folhas outonais, a luz do entardecer entre os castanheiros centenários, a lebre súbita ou o esquilo misterioso. O seu passo era majestoso e singelo ao tempo. Elevava os seus olhos ao céu respirando com todo o seu ser. De súbito um falcão olhava-o por um instante e

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🔍Leia o artigo completo Lua de Anatólia (III)

Lua de Anatólia (III)

0 comentários 🕔15:00, 29.Jan 2014

IV Autum A touch of cold in the Autumn night –/ I walked abroad,/ And saw the ruddy moon lean over a hedge/ Like a red-faced farmer./ I did not stop to speak, but nodded,/ And round about were the wistful stars/ With white faces like town children. Outono Um toque de frio na noite de Outono – Eu ia ao estrangeiro,/ e inclinada sobre uma cerca vi a lua avermelhada/ como um granjeiro de rosto rubro./ Não me

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