Edimburgo, Escócia 4. Por Hirondina Joshua
Escrevi um poema ramificado no ano passado. Foi quando os espelhos me reflectiam numa zona que nunca haviam tocado.
Surgiu-me a pergunta do que seria o rosto.
É uma coisa que está à frente da nuca? Por cima da cabeça?
O rosto veio-me como as mãos me vêm quando tento ramificar um poema em forma de objecto-luz, objecto-penumbra, um devaneio circundante e infante.
O rosto que eu conhecia desapareceu com as enxurradas do destino. Em que ruas?
O rosto tem essa mania de migrar, às vezes de se sentar no negro. Os olhos eram os mesmos, o nariz, a boca, mas o rosto não.
Dei-lhe o nome de Jugos do Rosto. Jugos do Rosto é um poema que me assombra. O poema que não terminou nas estações das águas.
Ontem, alguém trocou o rosto. A questão não é se ele está mais feio ou mais bonito, mas quem é quando deixa de ser ele mesmo.
❧
More from Contributos de:
Comer o Livro | Hirondina Joshua
Comer o Livro é um contributo de Hirondina Joshua para a revista Palavra Comum.
Cerne, de Leonora Rosado | Carla Nepomuceno
Cerne, de Leonora Rosado. Por Carla Nepomuceno

