Categoria "Marília Lopes"

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Vítrea casa

0 comentários 🕔13:00, 18.Set 2017

Servia para dormir, para comer, para conviver, para amar, para sonhar, mas havia nela um monstro que tinha um olho esquisito no meio da testa. Este ser sobrenatural estava destinado a habitar a casa, à qual se apoderara por configuração de terrenos. É que ele não queria ali ninguém e o edifício branco impunha-se na terra que chamava sua, com as suas formas rectilíneas, com os seus labirintos interiores, contra a sua vontade de que

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🔍Leia o artigo completo Entrevista à poeta portuguesa Marília Miranda Lopes: “entendo a Arte como processo avassalador constante que tende a provocar fendas para construir outra coisa”

Entrevista à poeta portuguesa Marília Miranda Lopes: “entendo a Arte como processo avassalador constante que tende a provocar fendas para construir outra coisa”

0 comentários 🕔09:00, 14.Ago 2017

Marília Miranda Lopes nasceu no Porto, a 22 de Maio de 1969. Formou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade da cidade onde nasceu. É professora prossionalizada de Língua Portuguesa do Ensino Secundário e formadora pelo Conselho Cientíco-Pedagógico de Formação Contínua nas áreas das Didácticas Especícas e das Ocinas de Escrita - Poesia e Teatro. Foi bolseira dos Serviços de Belas Artes da Fundação Calouste Gulbenkian, ao abrigo do programa "Dramaturgia

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🔍Leia o artigo completo O medo num post-it, por Marília Lopes

O medo num post-it, por Marília Lopes

1 comentário 🕔10:45, 04.Jun 2014

Se havia coisa que se tinha incrustado na pele de Perpétua, era o medo. De manhã, ensaboava-se tanto e tão repetidas vezes, que a pele ficava, em certas zonas, cheia de vermelhidão. Repugnavam-lhe os maus cheiros e como quisesse afastá-los de si, procedia a todo um ritual matutino de aperfeiçoados gestos, acompanhados de utensílios eficazes, como a esponja, a luva de crina e uma mãozinha chinesa que conseguia alcançar, mais ao pormenor, certas zonas dificilmente

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🔍Leia o artigo completo <em>Um homem, uma cabra-loura, um horizonte de eventos</em>

Um homem, uma cabra-loura, um horizonte de eventos

0 comentários 🕔11:30, 09.Abr 2014

Havia um homem que dentro de si caminhava. Ele seguia sem direcção, absorto pelo número de vezes que perscrutava o céu, num abismo de olhar, entre a melancolia e a admiração, que o fazia crer que em algum sítio haveria de entender o percurso que trilhava. A estrada abria-se no horizonte de eventos, numa amplitude espacial que o abrangia. Já não sabia, a certo ponto, se o que via diante de si seria um trilho ou

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🔍Leia o artigo completo <em>Voz de uma estátua</em>, por Marília Lopes

Voz de uma estátua, por Marília Lopes

0 comentários 🕔12:30, 12.Mar 2014

Continuo de pé na velha cidade, à espera das carícias do Sol que aquece os corpos frios. Sou uma estátua cuja erosão arruinou membros, mas que ainda não emudeceu a voz aflita. Ouço melodias, contornos de oboé em boca de seda, um concerto aéreo. É então que me sinto mais só e distante, abandonada na Avenida Principal que nunca sentiu os meus gélidos pés, nem meus membros a sua textura. A cidade tornou-se o eco

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